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AngolaPress é alérgica ao rigor
- 19-May-2006 - 14:30
«O papel da imprensa angolana foi tema de debate quinta-feira, em Lisboa, durante uma conferência realizada na Casa de Angola, inserida nas actividades alusivas ao Dia de África, a ser assinalado no próximo dia 25», escreve a agência de notícias oficial, AngolaPress. Alérgica ao rigor (de deontologia e ética nem vale a pena falar) a agência omite o nome dos participantes. Porquê? Simples. Havia quem não fosse do MPLA.
Por Orlando Castro
«No evento, realizado sob o tema "A imprensa: O caso de Angola", os participantes fizeram uma refelexão sobre o actual estado do jornalismo no país, na qual foi destacada a importância dos media no actual processo de reconstrução e reconciliação nacional», escreve a AngolaPress.
De facto, é incómodo para o MPLA/Governo ter uma agência que dissesse que participaram no debate os jornalistas Jorge Eurico, delegado do Notícias Lusófonas, em Angola, e Nuno Sardinha, da RDP-África.
E como era incómodo, a AngolaPress cumpriu as ordens do patrão e não referiu nenhum dos participantes. Esta voluntária omissão dos assalariados do MPLA é, só por si, o melhor contributo dado para se saber como vai a Imprensa (do Estado) em Angola.
É pena que o MPLA/Governo ainda não tenham entendido que todos têm direito a expressar as suas opiniões e que esse direito é, quando materializado na lei e sobretudo na prática, a melhor forma de solidificar, ou de encontrar, um verdadeiro Estado de Direito Democrático. O que, manifestamente, não é (ainda não é) o caso de Angola.
Aliás, enquanto a UNITA considerar os militantes do MPLA como inimigos, enquanto o MPLA considerar os militantes da UNITA como inimigos, Angola não encontrará o rumo da paz efectiva e duradoura.
Ou seja, enquanto não formos todos angolanos de pleno direito quer sejamos da FNLA, MPLA, UNITA ou de qualquer outro partido (ou de nenhum), não conseguiremos fazer do nosso país a Pátria em que todos terão lugar.
Embora todos devamos contribuir para esse desiderato, creio que o exemplo deveria partir de cima, ou seja de quem está no Poder. Infelizmente isso não acontece.
orlando@orlandopressroom.com
19.05.2006

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