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  Entrevista
Mari Alkatiri adia eventual substituição do secretário de Estado
- 20-May-2006 - 14:05


A continuidade no governo do secretário de Estado Egídio de Jesus, que tentou avançar contra a actual liderança do partido FRETILIN, apoiante do governo, está dependente de uma conversa com o primeiro-ministro, disse hoje Mari Alkatiri.


"Preciso de conversar com ele porque fez algumas declarações que não gostei", frisou Mari Alkatiri, referindo-se às críticas públicas de Egídio Jesus, no âmbito da disputa à liderança do partido.

Egídio de Jesus, que ocupa a pasta da Coordenação da Região III, integrou a equipa liderada pelo embaixador de Timor-Leste em Washington e chefe da missão diplomática timorense na ONU, José Luís Guterres, que anunciou a intenção de disputar a liderança à dupla Mari Alkatiri e Francisco Guterres "Lu-Olo", reeleitos sexta-feira, respectivamente, secretário-geral e presidente do partido.

A oposição interna desistiu da corrida invocando o seu desacordo com a substituição do método de eleição dos órgãos partidários, que deixou de ser por voto secreto e passou a ser de braço no ar.

"Independentemente das declarações que fez - o ter-se candidatado, eu ainda poderia tolerar -, apresentando críticas públicas contra o mesmo governo de que é membro, [acho que] devia ter tomado a atitude, com uma certa dignidade, que o ex-ministro do Desenvolvimento tomou", salientou Alkatiri.

O primeiro-ministro referia-se à demissão de Abel Ximenes, que no passado dia 08 abandonou o executivo, invocando o seu desacordo para com a política governamental.

Abel Ximenes era uma das figuras mais importantes da equipa liderada por José Luís Guterres.

"Se Egídio de Jesus tinha criticas contra este governo, demitia-se primeiro e depois podia dizer o que quisesse. Mas mesmo assim, sendo ele quadro do partido, ainda vou conversar com ele", afiançou.

Ainda sobre o congresso da FRETILIN, Mari Alkatiri lamentou que José Luís Guterres não tivesse mantido a disposição de lhe disputar a liderança.

"Posso até dizer que isso estragou-me a festa", vincou.

Mari Alkatiri considerou que José Luís Guterres se descuidou, e que a sua frustrada entrada na corrida pela liderança assenta no desconhecimento dos militantes do partido e do país.

"Ele descuidou-se um pouco. Aconselhei-o a mudar-se para cá primeiro, para conhecer as pessoas e conhecer o país. Ele não pode negar, porque aconselhei-o a fazer isso. Não estou aqui para ficar eternamente secretário-geral", adiantou.

Ultrapassada a realização do congresso, Mari Alkatiri reconhece que falta ainda resolver a crise que atravessa as forças armadas.

"Até aqui temos procurado demonstrar a nossa vontade em resolver o problema de uma forma sensata, de uma forma aceitável, e continuamos nesta linha", respondeu Mari Alkatiri, perante as novas exigências colocadas pelo porta-voz do grupo de 595 ex-militares, que recusam colaborar com uma comissão criada pelo governo para apurar a verdade material das suas queixas de discriminação no seio da instituição.

A comissão integra representantes dos quatro órgãos de soberania, Igreja Católica e sociedade civil, e as novas exigências do porta-voz, Gastão Salsinha, designadamente a obrigatoriedade de envolver a comunidade internacional nos trabalhos de investigação, lançou a resolução do problema no impasse.

"Se há alegações que falem, mas não inventem novas exigências, porque isso é inaceitável", frisou.

"O Estado é o Estado e está com vontade de resolver os problemas, mas que não se pense que o Estado se vai colocar de joelhos", sublinhou.

A entrevista de Mari Alkatiri à Lusa foi feita no final da cerimónia de encerramento do II Congresso Nacional da FRETILIN, marcado pela reeleição da actual liderança, e lista única fechada, por 97,1 por cento dos delegados.

A cerimónia, que decorreu em ambiente de festa, com música, corte de bolo e brinde com espumante e vinho do Porto, integrou a tomada de posse da Comissão Nacional de Jurisdição, Comité Central, e da liderança, secretário-geral e presidente do partido.

Um jantar de confraternização encerra o congresso, que terminou no dia em que se completam 32 anos sobre a fundação da Associação Social-Democrata Timorense, que a 11 de Setembro de 1974 deu lugar à FRETILIN.


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