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  Entrevista
Ministério Público averigua envolvimento de Rogério Lobato
- 20-Jun-2006 - 10:07


O ex-ministro do Interior de Timor- Leste Rogério Lobato é alvo de um processo de averiguações aberto na sequência da acusação de que teria distribuído armas a civis, revelou hoje fonte judicial.


As acusações de que Rogério Lobato teria distribuído armas foram feitas por Vicente da Conceição "Railos", veterano da resistência contra a Indonésia.

Vicente da Conceição "Railos" apresentou segunda-feira as provas das acusações contra Rogério Lobato ao ministro da Defesa, José Ramos-Horta, que visitou o grupo armado liderado por aquele veterano das Falintil (Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste) em Leutala, 50 quilómetros a oeste de Díli.

No final dessa visita, José Ramos-Horta disse que dois procuradores iriam ouvir as alegações do comandante "Railos".

Fonte judicial disse que Vicente da Conceição "Railos" falou segunda-feira com o Procurador-Geral da República, Longuinhos Monteiro, e o Procura dor Regional de Díli, Luís Mota Carmo.

Rogério Lobato abandonou o governo a 1 de Junho, depois de o Presidente da República, Xanana Gusmão, ter sugerido a sua demissão ao primeiro-ministro, Mari Alkatiri.

Como ministro do Interior, cargo em que foi substituído por Alcino Baris, Rogério Lobato tutelava a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

Apesar da sua demissão do governo, Rogério Lobato foi eleito, dias depois, vice-presidente da FRETILIN, numa reunião do comité central do partido no poder, liderado por Mari Alkatiri.

A existência do "esquadrão da morte" comandado por Vicente da Conceição "Railos" para eliminar adversários políticos de Mari Alkatiri foi revelada há cerca de duas semanas pela televisão australiana ABC.

Vicente da Conceição "Railos" acusou Mari Alkatiri e o ex-ministro do Interior Rogério Lobato de terem distribuído armas para eliminação de adversários políticos do primeiro-ministro e líder da FRETILIN.

Mari Alkatiri já negou as acusações, mas Rogério Lobato reconheceu, em entrevista publicada sábado pelo semanário Expresso, que o alegado "esquadrão da morte" foi preparado para ajudar a polícia a "actuar numa situação de guerrilha".

Segunda-feira, depois de se ter reunido em Leutala, distrito de Liquiçá , com o grupo liderado por "Railos" a pedido deste, José Ramos-Horta considerou a situação "grave e delicada".

"Está aqui um grupo de que se tem falado bastante, numa situação bem gr ave e delicada. São cerca de 30 homens com 17 armas. Armas alegadamente distribu ídas por altos responsáveis do governo" timorense, disse na altura.

"Custa-me a crer que seja verdade. Mas este grupo parece ser fidedigno, sério e sentem-se defraudados", referiu.

"Acharam que as ordens que receberam não eram justas nem correctas e, p or isso, recusaram cumprir as ordens e falar", disse ainda.

Na ocasião, Ramos-Horta indicou também que os homens de "Railos" "estão dispostos a entregar as armas ao Presidente da República".

"Mas essas armas não são umas armas quaisquer. Eles exigem que essas ar mas sejam preservadas como evidência de um crime", adiantou Ramos-Horta, que na ocasião admitiu a existência em Timor-Leste de "muitos grupos bem armados", cujo número se desconhece.

O comandante "Railos" alega que apenas entregará as armas se Mari Alkat iri for julgado em tribunal internacional.

Os elementos do grupo, que distribuíram à imprensa uma declaração intit ulada "Equipa de Segurança Secreta da FRETILIN - Grupo Railos", afirmam-se milit antes da FRETILIN e três deles apresentaram-se aos jornalistas tendo ao pescoço o cartão de identificação de delegado ao recente congresso do partido, realizado em Maio passado em Díli.


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