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  Entrevista
«Alkatiri tem de aceitar críticas dos media»
- 6-Jul-2006 - 16:54


O primeiro-ministro da Austrália, Jo hn Howard, reagiu hoje às acusações de Mari Alkatiri de que os "media" e "alguns políticos" australianos contribuíram para a sua demissão afirmando que o ex-primeiro-ministro timorense tem de saber aceitar críticas da imprensa.


A Austrália reagiu também à advertência de Alkatiri de que um acordo já assinado com Camberra para a exploração de petróleo no campo de Greater Sunrise vai ter de ser renegociado, afirmando, através de um porta-voz governamental, não ver qualquer razão que impeça a ratificação do contrato.

As reacções australianas dizem respeito a uma entrevista a Mari Alkatiri publicada hoje pelos jornais Sydney Morning Herald e The Age, na qual o ex-primeiro-ministro timorense critica o envolvimento da imprensa e de responsáveis au stralianos na crise em Timor-Leste e afirma que a sua demissão pode pôr em risco o acordo assinado com a Austrália sobre o petróleo do Mar de Timor.

"Não tenho dúvidas de que o conjunto dos 'media' australianos tentou de monizar-me [nem] de que alguns ministros e responsáveis australianos não gostam de mim porque me conhecem como um negociador exigente", disse Alkatiri.

Para John Howard, no entanto, Mari Alkatiri é uma figura pública e, com o tal, deve contar com o escrutínio dos órgãos de comunicação social.

"Não sou responsável por nada do que os 'media' australianos tenham fei to e, como acontece com qualquer figura pública, ele [Alkatiri] está sujeito a críticas", disse Howard, citado pela rádio e televisão australiana ABC.

Na entrevista, Alkatiri afirma que tanto Timor-Leste como a Austrália p erdem com a sua demissão, uma vez que o seu governo se preparava para submeter à ratificação do Parlamento um acordo assinado com Camberra para a exploração do campo de gás e de petróleo de Greater Sunrise, no Mar de Timor, no valor de 41 m il milhões de dólares australianos (cerca de 23,9 mil milhões de euros).

"Agora volta tudo à mesa das negociações", disse Alkatiri.

Mas o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros australiano rejeitou esta ideia, afirmando que o Governo de Camberra conta com a ratificação do acordo, admitindo, no entanto, que o processo possa sofrer algum atraso devido à crise política em Díli.

"A estrutura do Parlamento [de Timor-Leste] é a mesma que havia há seis meses, quando o acordo foi negociado. Dadas as circunstâncias políticas, pode haver algum atraso na ratificação final, mas não temos qualquer indicação, formal ou de qualquer outro carácter, de que o acordo possa não avançar", disse o port a-voz.

O acordo em causa, assinado em Janeiro, pôs termo a uma longa disputa e ntre Díli e Camberra sobre a definição das fronteiras marítimas.

A Austrália defendia a manutenção da fronteira definida nos anos 1970 n um acordo assinado com Jacarta, durante a ocupação indonésia de Timor-Leste, o qual colocava sob jurisdição australiana dois terços do Mar de Timor e a maior pa rte dos recursos energéticos, incluindo 80 por cento do grande campo de Greater Sunrise, o maior recurso petrolífero conhecido do Mar de Timor.

Timor-Leste exigia uma redefinição da fronteira marítima que respeitass e os parâmetros legais definidos internacionalmente, ou seja, à mesma distância dos dois países.

No acordo assinado, Timor-Leste aceitou adiar uma decisão sobre a front eira marítima por 50 anos, em troca de uma repartição igual - 50 por cento para cada um dos países - das receitas provenientes da exploração dos recursos petrol íferos.

As negociações com a Austrália, iniciadas em 2001, foram chefiadas por Mari Alkatiri, que ganhou com esse processo a reputação de negociador forte e intransigente na defesa dos interesses do seu país.


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