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Isto só lá vai a tiro. E já faltou mais...

- 11-Jul-2006 - 17:55

Segundo a edição de hoje do Jornal de Negócios, a Federação Portuguesa de Futebol entende que, em função dos resultados obtidos pela equipa portuguesa (ficaram em quarto lugar entre 32 equipas), os prémios de presença que os jogadores da selecção receberam pela sua participação no Mundial da Alemanha, 50 mil euros por jogador, deviam ficar isentos de imposto porque a selecção contribuiu para a "divulgação e prestígio" do país. É fartar vilanagem.

Por Orlando Castro

O presidente da FPF, Gilberto Madaíl, já veio reiterar a intenção de pedir a isenção de IRS, frisando que "há leis que permitem que os jogadores de futebol que pratiquem feitos relevantes para o país tenham um benefício fiscal, de não pagarem impostos dos prémios de jogos".

Nem mais. É assim mesmo. Que tal pedir, ou até impor, aos reformados que mal ganham para pagar todos os meses os medicamentos de que carecem, para darem a pensão aos jogadores?

Coitadinhos dos jogadores. Bem precisam de mais uma ajuda. Os portugueses são mesmo ingratos. Então os rapazolas dão o litro, estiveram alojados em albergues da pior espécie, comeram mal e porcamente e agora ainda querem que eles paguem IRS sobre o pequenito prémio de 50 mil euros? Francamente.

Ricardo Carvalho, por exemplo, só ganha no Chelsea 300 mil euros por mês, tal como Paulo Ferreira. E o coitado do Maniche que só aufere 250 mil euros por mês. De facto, era justo receberem mais 50 mil e sem impostos.

Os meus pais que, aos 80 anos de idade, recebem em conjunto 400 euros por mês, já me disseram que estão dispostos a abdicar do que recebem para ajudar os futebolistas portugueses.

Cito, aliás, o que textualmente o meu pai me disse sobre esta questão: “É claro que estou disposto a dar-lhes a minha reforma. Têm é de vir cá a casa recebê-la. Têm de vir eles, o presidente da Federação, o primeiro-ministro e o presidente da República. O resto tu sabes...”

O resto eu sei. Sei o que lhe vai na cabeça porque na minha vai o mesmo. Ambos estamos fartos de ser roubados. E, por isso, a solução (mesmo que venham a pagar o IRS) terá de passar por dar um tiro na cabeça daqueles que continuam a roubar aos milhões que têm pouco, ou nada, para dar aos poucos que têm milhões.

É que há coisas que só se resolvem a tiro.

orlando@orlandopressroom.com
11.07.2006


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