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E o povo, meus senhores?
- 26-Jul-2006 - 18:59
Luiz Felipe Scolari, qual Pedro Álvares Cabral de sentido contrário, auferirá cerca de 250 mil euros por mês nos dois anos que estará à frente da selecção portuguesa dos profissionais (também milionariamente pagos) de futebol. Também e sobretudo à nossa custa. À custa dos milhões que têm pouco ou nada. Mesmo que me garantam que não será a Federação Portuguesa de Futebol a pagar tudo. Deixem-me, por isso, repetir que isto só lá vai a tiro, com o povo cada vez mais faminto a fazer uma revolução.
Por Orlando Castro
Como fiz a propósito da tentativa dos jogadores do dupla Scolari/Gilberto Madail não pagaram impostos sobre o prémio por terem ficado em… quarto lugar no Mundial de Futebol, recordo que (e é um dos milhões de exemplos) os meus pais que, aos 80 anos de idade, recebem em conjunto 400 euros por mês, já me disseram que estão dispostos a abdicar do que recebem para ajudar, neste caso aquele que parece ser o salvador da Pátria.
Mesmo que Portugal tivesse ficado em segundo não deixaria, para mim, de ser apenas o primeiro dos últimos. Mas, ao que parece, os portugueses contentam-se com pouco. Longe vai o tempo em que Portugal deu luz ao mundo. Agora basta-lhe segurar a lanterna… vermelha.
Cito, aliás, o que textualmente o meu pai me voltou a dizer sobre a módica quantia que Scolari vai ganhar: 50 mil contos por mês. “É claro que estou disposto a dar-lhes a minha reforma. Têm é de vir cá a casa recebê-la. Têm de vir eles, o presidente da Federação, o primeiro-ministro e o presidente da República. O resto tu sabes...”
O resto eu sei. Sei o que lhe vai na cabeça porque na minha vai o mesmo. Ambos estamos fartos de ser roubados. E, por isso, a solução terá de passar por dar um tiro na cabeça daqueles que continuam a roubar aos milhões que têm pouco, ou nada, para dar aos poucos que têm milhões.
Quer se queira quer não, e não adiante tapar o sol com a peneira, há coisas que só se resolvem a tiro. Por muito que isso custe aos que falam de barriga cheia, para grandes males há sempre grandes remédios.
E um desses remédios é cortar o mal pela raiz. Ou seja, acabar com a matilha que – para além do gozar com a nossa chipala – suga a nossa comida, hipoteca o futuro dos nossos filhos e assassina a esperança dos nossos netos.
orlando@orlandopressroom.com
26.07.2006

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