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Pilar da língua portuguesa em destaque na CPLP
- 31-Oct-2002 - 14:56
As bases mestras da actuação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (ILLP), principal pilar da CPLP e com sede em Cabo Verde, vão ser definidas, em Dezembro, no Rio de Janeiro, disse o secretário-executivo da Comunidade.
João Augusto de Médicis falava à Agência Lusa, dois meses depois de ter sido eleito para o cargo de responsável por dois anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, criada em 1996.
O diplomata brasileiro disse estar convicto de que desta reunião sobre «Política de Língua Portuguesa», a decorrer na primeira quinzena do último mês do ano, sairão directrizes que vão pôr este instituto - criado há 13 anos em S. Luís do Maranhão como a trave mestra da CPLP - finalmente a funcionar.
Apesar de representar os países membros na execução das decisões e propostas aprovadas nas cimeiras, o diplomata, indicado pelo Brasil, país que detém a presidência, aposta no seu cunho pessoal para afirmar a Comunidade junto das organizações internacionais.
Discreto, mas firme nas suas convicções, este diplomata de 66 anos, que já exerceu funções em várias partes do mundo e em organismos das Nações Unidas, defende «uma concertação político-diplomática mais intensa junto das sedes das organizações internacionais, nomeadamente em Nova Iorque, Genebra e Roma».
Médicis lembrou as recomendações saídas da cimeira de Brasília, em Agosto último, que apontam para a necessidade dos Estados membros da CPLP se consciencializarem de que, dentro dos organismos internacionais a que pertencem e nas grandes conferências internacionais, são um grupo político.
O representante do mais importante órgão da Comunidade considera que tal atitude «não conflituará com o que são as vinculações ou dependências dos diferentes Estados a outros grupos a que estejam ligados, principalmente aos regionais».
Médicis, que começou a sua carreira diplomática aos 23 anos, confessa que o facto de não estar satisfeito com coisa alguma o obriga a procurar encontrar soluções e recursos.
Afirmou ter já feito a respectiva «pregação» em reuniões recentes com os embaixadores dos países de língua portuguesa em Genebra e Roma.
Reconhecendo embora que as características de cada Estado não permitem ainda a unidade de pensamento, Médicis, citando o filósofo chinês Kung-Tse (Confúcio para o Ocidente), defendeu que «harmonia não significa necessariamente uniformização», justificando assim a importância de uma actuação comum.
João Augusto de Médicis defende a permanência de um representante da CPLP nas Nações Unidas, em Nova Iorque e em Genebra, que possa servir de elemento de ligação entre o secretariado da Comunidade, em Lisboa, e os organismos internacionais.
«Essas pessoas - algumas já contactadas - seriam uma espécie de ponto focal para entendimentos directos com as organizações internacionais, não se substituindo nem aos Estados nem à concertação político-diplomática, mas permitindo uma presença adicional da CPLP nesses organismos com uma visão da Comunidade», explicou.
Neste conceito, exemplificou o apoio que está a ser dado à candidatura do primeiro-ministro moçambicano, Pascoal Mocumbi, para presidir à Organização Mundial de Saúde.
Instado a comentar um possível esforço da Comunidade no apoio à Guiné-Bissau, actualmente numa situação crítica, Médicis afirmou que «embora não exista qualquer mandato específico para o fazer, crê que Sno dia-a-dia e em momentos de maior dificuldade, a CPLP pode ser um instrumento de concertação política para que os Estados membros ajudem a encontrar soluções".
«A CPLP deve ser um instrumento de tudo aquilo que respeita à pacificação institucional dos seus países membros», acentuou.
Disse estar prevista uma visita à Guiné-Bissau em Novembro, para se inteirar directamente da realidade guineense, precisamente devido à sua visível fragilidade.
Prevista está também em Novembro uma viagem a Cabo-Verde, por altura da reunião dos Parlamentos da CPLP, bem como a Timor-Leste, em Dezembro, e ainda outras por agendar aos restantes países africanos de língua portuguesa.
Notou que os países pequenos da Comunidade esperam que os Estados maiores sejam cada vez mais solidários com as suas próprias necessidades.
O diplomata citou o exemplo de Angola, onde o processo de paz é essencial para qualquer desenvolvimento de cooperação na CPLP.
O secretário-executivo da Comunidade disse que estão a ser trabalhados dois programas emblemáticos da CPLP na área da Saúde: o do combate à sida, no âmbito das Nações Unidas, que deverá estar em marcha em 2003 e em relação com o qual se deslocará a Lisboa, em Dezembro, o director belga do programa.
Actualmente, explicou o diplomata brasileiro, «está-se a fazer o levantamento do que cada país faz internamente e quais os auxílios externos, para que se possa trabalhar em áreas ainda não cobertas», explicou.
O segundo projecto consiste no fortalecimento de infra- estruturas de saúde pública e capacitação de técnicos.
O diplomata considerou que embora seja difícil o programa de formação de pessoal, dadas as várias necessidades dos diferentes países, será uma acção de extrema importância, considerando que esses técnicos formarão por seu vez outros e outros sucessivamente.
«Todos os países são carentes, mas uns mais do que outros», observou Augusto Médicis, que deixou a representação no Chile para ocupar este cargo em representação do Brasil, que neste mandato assume a coordenação de todos os órgãos da CPLP.
Recordou que o seu mandato vai dar ênfase à vertente empresarial da Comunidade e nesse sentido vai realizar-se no Brasil o segundo Fórum, em Abril.
A questão, adiantou, é a utilização da língua como instrumento de trabalho, negócios e comércio e, por isso, pretende-se criar o Conselho Empresarial (CE) da CPLP, ou seja, um grupo de vários representantes dos oito Estados membros, que possa criar ambiente empresarial dentro da comunidade e dar à CPLP uma nova faixa de trabalho.
«Quero aproveitar a visita empresarial, em Novembro, na cimeira luso-brasileira. Virá um grupo empresarial e nesse sentido pretendo fazer um núcleo para que se consiga um CE activo e ágil, em conjugação com o trabalho junto da CPLP», disse Médicis, acrescentando que tal Conselho «tem de ser vinculado à Comunidade, mas não preso à estrutura burocrática da CPLP».
Augusto de Médicis disse à Lusa que todos os países membros estão a corresponder às expectativas, mas é necessário haver a consciência de que o orçamento da CPLP (860 mil dólares) é pequeno e que não pode dar saltos muito grandes.
«Temos consciência que o processo é de evolução. Eu não estou satisfeito com nada, mas acho que a única maneira de se administrar uma organização como esta comunidade é não estar satisfeito».
«A forma de satisfação é procurar recursos», sublinhou.
«É perigoso achar que tudo é possível, acumulando ideias, e que nada é possível, recusando tudo», concluiu.
OTÍLIA LEITÃO, da Agência Lusa

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