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Batam com a porta... rapidamente e em força
- 20-Aug-2006 - 20:36
A Secretaria de Estado das Comunidades recebeu mais de 150 nomeações para a "Gala dos Talentos", que pretende homenagear portugueses que se distinguem no estrangeiro nas mais variadas áreas, desde as artes ao desporto. A ideia é boa mas permitam-me uma pergunta: O que está a ser feito para premiar dentro de portas os muitos talentos que por cá há? Nada. Por isso… o melhor é bater com a porta.
Por Orlando Castro
Dos 150 nomeados, o júri vai seleccionar 36. Os nomes dos "melhores entre os melhores" vão ser divulgados em Setembro, disse fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades. Contudo, apenas 12 serão distinguidos na "Gala dos Talentos", um por cada área determinada pela Secretaria de Estado - Investigação, Desporto, Ciência, Cultura, Humanidades, Juventude, Economia, Associativismo, Comunicação Social, Política, Divulgação da Língua Portuguesa e Profissões Liberais.
Tratando-se de uma escolha subjectiva, como todas, não estou à espera de ver alguns dos meus favoritos entre os 12 premiados. Mas, sejam eles quais forem, serão certamente merecedores de uma distinção que, digo eu, deve ser feita em nome do país e não do Governo, em nome de Portugal e não do Partido Socialista.
Creio, aliás que o Júri (presidido pela presidente da Associação Pró Dignitate, Maria Barroso, e pela ex-secretária de Estado das Comunidades e ex-deputada pela Emigração, Manuela Aguiar) poderia ser o mesmo para avaliar quem, em Portugal, tem talento que se farta mas que se quer ser reconhecido tem mesmo de bater com a porta.
Por alguma razão há muito, muito tempo, que em Portugal se diz que santos de casa não fazem milagres.
Segundo o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, o objectivo é "reconhecer os milhares de talentos que residem no estrangeiro. Pessoas que o país lamentavelmente desconhece, mas que são conhecidas e reconhecidas nos países de acolhimento".
Nem mais. Pessoas que o país desconhece e que, para passar a conhecer, têm de ir pregar para outro lado. No caso concreto da Lusofonia, estou farto de dizer ao António Ribeiro (o Homem que há muitos, mesmo muitos, anos lançou o Portugal em Linha e há oito anos o Notícias Lusófonas) que deve ir para o estrangeiro se quiser ser reconhecido pelo trabalho ímpar que faz em prol da Lusofonia e das comunidades portuguesas.
E como o António Ribeiro há muitos mais. Mas será que todos eles querem ser santos que fazem milagres em casa? Talvez. Era bom que tivessem razão. Mas não têm. Em casa só fazem milagres, nesta altura, os santos que forem filiados no PS.
orlando@orlandopressroom.com
20.08.2006

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