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Um terço dos deputados sob suspeita de peculato ou corrupção
- 14-Sep-2006 - 15:29
Quase um terço do Congresso brasileiro está sob suspeita de crimes, numa altura em que os eleitores se preparam para escolher, a 1 de Outubro, além do Presidente da República, 513 deputados e 27 senadores.
De acordo com um levantamento divulgado pelo site «Congresso em Foco», e disponibilizado pela Lusa, dos 594 parlamentares no Congresso Nacional, 179 estão sob investigação de órgãos de fiscalização ou foram ouvidos em processos-crime durante a actual legislatura (2003-2007), sendo 157 deputados e 22 senadores.
A maioria das acusações refere-se à prática de crimes contra a administração pública, como desvio de verbas, peculato (apropriação de bens ou valores por funcionário público em funções), improbidade administrativa ou corrupção passiva.As restantes acusações referem-se a delitos tributários, associação criminosa, crimes eleitorais e lavagem de dinheiro.
De acordo com a pesquisa, se forem incluídos os ex- parlamentares que exerceram o mandato nos últimos anos e tiveram o mandato suspenso ou renunciaram, o número de acusados passa para 196, dos quais 172 deputados e 24 senadores.
Há deputados que chegam a responder por quatro processos-crime contra a administração pública, como é o caso de Jackson Barreto do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Até o corregedor da Câmara, o deputado Ciro Nogueira do Partido Progressista (PP), que é o responsável na instituição por fiscalizar se os colegas respeitam a lei e a ética, está sob suspeita em duas acções penais.
O aumento do número de parlamentares envolvidos em acusações criminais deveu-se, principalmente, aos escândalos do «mensalão» - esquema de compra de votos no Congresso Nacional através do «saco azul» do Partido dos Trabalhadores - e da «Máfia dos Sanguessugas».
Só neste último escândalo, que consistiu em fraudes nas compras de ambulâncias e equipamentos médico-hospitalares para cidades do interior do Brasil, foram formalizadas acusações pela comissão do Congresso que investiga o esquema contra 72 parlamentares.

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