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«Memórias de um guerrilheiro»

- 21-Sep-2006 - 15:18

Acabei agora de ler o livro “Memórias de um guerilheiro” de Alcides Sakala, meu velho e querido amigo dos tempos (entre outros) dos bancos da escola no Huambo. Para além de outras considerações, a leitura lembrou-me um artigo de Eugénio Costa Almeida, recentemente publicado no seu pululu.blogspot.com em que afirma que “independentemente das simpatias partidárias ou do carácter dos mesmos, existem (para além de Agostinho Neto), pelo menos, mais dois grandes líderes que devem gozar do estatuto de Herói Nacional: Holden Roberto e Jonas Savimbi”.

Por Orlando Castro

Quem ler o livro, ultrapassando as gralhas, as repetições e a descuidada revisão, compreenderá porque, sempre que falo de Jonas Savimbi, recordo a frase que ele me disse, em 1975 no Huambo e a propósito da sua determinação em defender os milhões que têm pouco em detrimento dos poucos que têm milhões: «Há coisas que não se definem - sentem-se».

Quem ler o livro compreenderá porque, no seu primeiro discurso como presidente da bancada parlamentar da UNITA, Alcides Sakala disse: "Vivemos numa sociedade marcada pela riqueza excessiva de uns e pela pobreza extrema da maioria».

Quem ler o livro compreenderá porque, no seu primeiro discurso como presidente da bancada parlamentar da UNITA, Alcides Sakala disse: "A maior parte da população vive no limiar da pobreza, com menos de um dólar por dia, sendo incapaz de satisfazer as suas necessidades básicas".

Quem ler o livro compreenderá porque, no seu primeiro discurso como presidente da bancada parlamentar da UNITA, Alcides Sakala disse: "Só o crescimento da economia nacional fora das áreas estratégicas do petróleo e dos diamantes poderá resolver o problema do desemprego e combater as desigualdades sociais".

Alcides Sakala tem a sabedoria de quem sentiu, tantas e tantas vezes de forma dolorosa, os dois lados da História de Angola e, honrando esse conhecimento, luta para que os milhões que têm pouco passem a ter algo mais. Juntando a experiência das matas à dos grandes areópagos da política internacional, Alcides Sakala mostra que nunca se esqueceu que Angola não se define – sente-se.

E de uma coisa todos podemos ter a certeza: Alcides Sakala sente Angola como poucos, como muito poucos. Sente Angola como a sentiu o Mais Velho.

orlando@orlandopressroom.com
21.09.2006


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