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  Brasil
126 milhões vão hoje às urnas e o vencedor será... Lula da Silva
- 1-Oct-2006 - 11:26


Hoje 125,91 milhões de eleitores brasileiros vão eleger o presidente da República, 27 governadores, 513 deputados federais, 27 dos 81 senadores e deputados estaduais, para mandatos de quatro anos. Lula da Silva é o grande favorito a uma vitória já à primeira volta, mas o seu PT (Partido dos Trabalhadores) deverá sofrer uma assinalável derrota a nível dos governadores e até mesmo dos deputados.


Contestado em várias frentes, o Governo de Lula da Silva não escapou a uma série de escândalos e de promessas não cumpridas. O Plano Nacional de Reforma Agrária, anunciado pelo presidente em 2003, previa o assentamento de 400 mil famílias em todo o país até 2006. Ficou-se pelas 245 mil. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, ainda existem hoje no Brasil 4,5 milhões de famílias sem-terra. Apesar deste parcial falhanço, é um eleitorado favorável a Lula porque, diz Marluce Melo, coordenadorda da Comissão Pastoral, entre o mau e o péssimo a escolha não é difícil.

Também a carga tributária causa alguns problemas a Lula, já que atingiu 37,37% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado, um aumento de 1,49%. Em 2002, último ano antes do início do do seu mandato, foi de 35,61%. Os impostos são, de qualquer modo, uma questão irrelevante em matéria de votos. "Os 70% mais pobres da população não são atingidos por impostos directos, e não vêem isso como um problema", diz o economista e professor universitário José Márcio Camargo.

A redução das taxas de juro faz parte das promessas de todos os candidatos, mas a influência directa na escolha eleitoral não deve ser importante. O Brasil é hoje considerado o país com a maior taxa de juros reais do Mundo, mesmo após a redução nominal fixada pelo Banco Central, de 14,75% para 14,25% ao ano, no início de Setembro. No entanto. se a questão dos juros tivesse alguma influência, seria a favor do presidente Lula, porque apesar de serem os maiores do Mundo, são os baixos dos últimos 30 anos.

Para a escolha que hoje vão fazer, os brasileiros foram inundados com assuntos marginais, sobretudo por culpa dos candidatos. Desde 1982 que não há registo de uma campanha eleitoral em que os programas de governo tenham sido tão acessórios.

Marco António Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, diz que esta realidade "mostra o esgotamento de um ciclo depois da redemocratização, que pode significar o fim das ideias da suposta elite que se apresenta a votos".

O cientista político Marcelo Simas, do Centro de Pesquisa e Documentação e História Contemporânea da Fundação Getúlio Vargas, resume a questão dizendo que "os programa de Governo são letra morta e o que importa é a propaganda na televisão".

Mais do que a televisão, o grande trunfo de Lula da Silva, este sim com grande implicações nos votantes, foi a chamada "Bolsa-Família", um programa social do Governo Federal para ajudar todos os meses as famílais de baixos recursos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, responsável pelo programa, 11,2 milhões de famílias são hoje abrangidas.

Para o cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, "os benefícios sociais têm um efeito localizado sobre as pessoas que os recebem, ajudando-os a melhorar a vida e a grande maioria entende que foi graças a Lula que isso aconteceu".

Mauro Paulino, director do instituto de pesquisas Datafolha, diz que a vitória de Lula, a acontecer, como tudo indica, ficará a dever-se "ao eleitorado com rendimento até dois salários mínimos mensais e que são os principais beneficiários dos programas sociais e da estabilidade monetária".

Apesar de encher as primeiras páginas dos jornais, a corrupção é considerada um problema apenas por 11% dos eleitores brasileiros, segundo uma pesquisa realizada pelo instituto americano Zogby e encomendada pela Universidade de Miami. Ou seja, o que mais preocupa os brasileiros é o desemprego (34%) e a criminalidade (19%).

A criminalidade ganhou mias projecção na campanha eleitoral graças aos ataques no Estado de São Paulo. Mauro Paulino diz que o mais atingido foi o ex-governador desse estado, Geraldo Alckmin, principal adversário de Lula da Silva nas eleições de hoje.

Fonte: Jornal de Notícias (Portual)/Orlando Castro


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