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  Alto Hama

O Teatro Rivoli terá pais ricos?

- 16-Oct-2006 - 14:53

Perto de 40 pessoas, certamente detentoras de bons empregos, decidiram passar a noite dentro do Teatro Rivoli (Porto), em protesto contra a intenção da Câmara Municipal do Porto de entregar a gestão do espaço a privados, sendo este vistos como verdadeiros papões.

Por Orlando Castro

Ao que parece (e só parece) o protesto está para ficar até que a direcção do teatro, a Câmara Municipal do Porto ou o Ministério da Cultura possam dar as respostas pedidas. Só falta gritarem: “O povo unido jamais será vencido”.

A resposta que esperam é aquela que todos gostaríamos de ter: A oferta pode ser fraca e a procura nula porque, afinal, o “pai Estado” (no caso, e desde 1970, a Câmara Municipal do Porto) garante os pagamentos… mesmo que as receitas passem ao lado.

Por outras palavras, pretende-se que alguém descubra que o Rivoli tem pais ricos (mesmo que seja à custa dos impostos pagos por quem nunca foi a este Teatro) e que, por isso, pode gastar à grande e à francesa, mesmo que seja para dar guarida a brilhantes peças que ninguém vê.

Se não tem pais ricos, Rui Rio sempre poderá ir ao BES buscar dinheiro para sustentar a nata (embora com prazo de validade já ultrapassado) de uma sociedade supostamente cultural que nunca desce ao nível do Povo.

Quando dá jeito defende-se “menos Estado, melhor Estado”. Quando não dá, então adopta-se a teoria das nacionalizações. Como se, de facto, a gestão privada fosse à partida um papão e a nacionalização um milagre.

Eu sei que os adeptos do tudo a monte e fé na gestão do Estado sabem do que falam. Eles são os donos da verdade e os únicos que produzem verdadeiras obras-primas. Também sei que os portugueses pouco percebem de arte.

Que o diga, por exemplo, o Teatro Politeama, de Filipe La Féria, que está na corrida pela gestão do Rivoli, e que é um caso de quem confunde a obra-prima do Mestre com a prima do mestre de obras.

Ou não será?

orlando@orlandopressroom.com
16.10.2006
altohama.blogspot.com


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