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São seres humanos - 1,2 mil milhões vivem com 0,80 euros por dia
- 16-Oct-2006 - 17:19
Todos os anos, perto de 11 milhões de crianças morrem antes do seu quinto aniversário e todos os dias 800 milhões de pessoas vão para a cama com fome
A luta contra a pobreza, que afecta 1,2 mil milhões de pessoas em todo o mundo, foi este ano homenageada com o Nobel da Paz nas vésperas do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala amanhã. Pelo menos 42,570 milhões de brasileiros vivem na pobreza, apesar de nos três primeiros anos do governo de Lula da Silva (2003-2005) ter sido registada a maior descida dos últimos 10 anos (ver também o Comunicado da Oikos).
Uma em cada seis pessoas no mundo vive em condições de pobreza extrema, sobrevivendo com menos de 0,80 euros (um dólar) por dia, e reduzir para metade entre 1990 e 2015 a pobreza extrema e a fome é o primeiro dos oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio com os quais se comprometeram 189 chefes de Estado e de Governo durante a assembleia-geral das Nações Unidas em 2000.
O Banco Mundial considera pobreza extrema viver com menos de um dólar por dia e pobreza moderada com menos de dois dólares (1,60 euros), estimando que 1,2 mil milhões de pessoas se encontram no primeiro caso e 2,7 mil milhões no segundo.
A proporção da população dos países em desenvolvimento que vive em pobreza extrema diminuiu de 28 por cento em 1990 para 19 por cento em 2002. No mesmo período, o número de pessoas nos países em desenvolvimento cresceu 20 por cento, para mais de cinco mil milhões, um quinto do qual sobrevive com menos de um dólar/dia.
De acordo com o Banco Mundial, se as taxas de crescimento económico nos países em desenvolvimento forem sustentadas, a pobreza global descerá para os 10 por cento em 2015, o que representaria um sucesso notável.
Num balanço do cumprimento do primeiro dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, o Banco Mundial refere que o número de pobres aumentou um terço na †frica Subsaariana. Mais de 314 milhões de africanos vive com menos de um dólar por dia.
Por outro lado, o crescimento acelerado na Índia colocou o Sul da Ásia no caminho para atingir o objectivo, embora nesta região totalizem 400 milhões os que vivem em pobreza extrema.
O Leste da Ásia tem mantido um crescimento económico sustentado, conduzido pela China. Na região do Leste da Ásia e Pacífico oito por cento da população vive com menos de um dólar/dia.
Segundo o Banco Mundial, o crescimento e a redução da pobreza têm sido mais lentos na região da América Latina e Caraíbas, onde quase um quarto da população vive com menos de dois dólares por dia.
A transição das economias na Europa Central e de Leste levou ao crescimento das taxas de pobreza nos anos 1990, que posteriormente desceram. Neste e no caso do Médio Oriente e Norte de África, o Banco Mundial considera que "o consumo de dois dólares/dia poderá ser um limite mais realista para a pobreza extrema".
Mas, mesmo que a pobreza diminua no mundo em geral, continua a representar um enorme problema. Um terço das mortes - 18 milhões de pessoas por ano, 50.000 mil por dia - deve-se a causas relacionadas com a pobreza. São 270 milhões desde 1990, a maioria mulheres e crianças, quase a população dos Estados Unidos.
Todos os anos, perto de 11 milhões de crianças morrem antes do seu quinto aniversário e todos os dias 800 milhões de pessoas vão para a cama com fome.
"O mundo fez progressos em relação aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, mas são insuficientes", considera Kofi Annan na sua mensagem a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, este ano subordinado ao tema "Trabalhar em conjunto para vencer a pobreza".
"Lamentavelmente, a 'parceria global para o desenvolvimento' continua a ser mais uma frase que um facto. Isto tem de mudar. Todos os actores chave do desenvolvimento - governos, sector privado, sociedade civil e as pessoas que vivem na pobreza - têm de empreender um trabalho colectivo anti-pobreza que permita aumentar os níveis de vida e atenuar o sofrimento humano", salienta o secretário-geral da ONU.
Nesse sentido, Annan defende que as negociações de Doha devem resultar num comércio mais livre e mais justo para todos, as nações desenvolvidas têm de respeitar os compromissos em relação … ajuda ao desenvolvimento e … dívida externa das mais pobres, enquanto os países em desenvolvimento devem dar prioridade ao cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
"A campanha para ultrapassar a pobreza - um desafio moral essencial da nossa época - não pode continuar a tarefa de poucos, têm de se tornar a ocupação de muitos. Neste Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza exorto todos para se juntarem a esta luta. Juntos podemos conseguir progressos para acabar com a pobreza", declara Annan na mensagem.
Para apoiar a luta para a erradicação da pobreza e pelo cumprimento dos Objectivos do Milénio decorre hoje e segunda-feira em todo o mundo a iniciativa "Levanta-te contra a pobreza".
Mais de 900 organizações internacionais em coordenação com organizações e movimentos sociais de base em mais de 100 países querem "promover a maior mobilização de sempre na história da luta contra a pobreza no mundo", refere o manifesto Pobreza Zero.
A organização da iniciativa espera conseguir um novo recorde para o livro do Guiness para o maior número de pessoas que "intencionalmente e simbolicamente" se levantou contra a pobreza durante 24 horas.
Em Times Square, em Nova Iorque, a famosa bola de cristal que assinala a contagem decrescente para a passagem do ano será hoje levantada no Âmbito da iniciativa para sensibilizar para a pobreza no mundo.
O secretário-geral da ONU foi convidado para carregar no botão que fará subir a bola, no que se crê ser o primeiro aparecimento da esfera de 482 quilogramas fora do dia 31 de Dezembro.
"O desafio de se levantar contra a pobreza capturou a imaginação de pessoas em todo o mundo. Levantamo-nos pelos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, leva–ntamo-nos para responsabilizar os líderes pelas suas promessas, levantamo-nos porque enquanto não atingirmos os objectivos não desistiremos", afirmou Kofi Annan numa declaração divulgada quarta-feira.
Mais de 40 milhões de pobres no Brasil
Pelo menos 42,570 milhões de brasileiros vivem na pobreza, apesar de nos três primeiros anos do governo de Lula da Silva (2003-2005) ter sido registada a maior descida dos últimos 10 anos.
O estudo da Fundação Getúlio Vargas denominado "Miséria, Desigualdade e Estabilidade: O Segundo Real" mostra que a pobreza atingia 28,2 por cento da população brasileira em 2003, quando começou um novo ciclo de queda, chegando a 22,7 por cento em 2005.
Entre 2003 e 2005 a descida do indíce da pobreza foi de 19,18 por cento, valor comparável à queda de 18,47 por cento no período de 1993 a 1995, em decorrência do Plano Real, implantado em Julho de 1994, de acordo com o coordenador da pesquisa, Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas,.
O levantamento, feito a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgado em Setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, considera pobre todo brasileiro com um rendimento individual de até 121 reais (43,6 euros) por mês.
Néri explicou que a redução no nível de pobreza observada de 2003 a 2005 está relacionada com políticas sociais e de distribuição de rendimentos do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o programa "Bolsa-Família", que está a beneficiar mais de 11 milhões de famílias brasileiras, e ao aumento da oferta de empregos.
O estudo aponta também diminuição no ritmo de crescimento da pobreza nas grandes cidades brasileiras neste período, que tinha sofrido um forte aumento de 1995 para 2003.
A pobreza nas regiões metropolitanas do Brasil, que está associada à violência e ao desemprego, caiu de 22 por cento para 16 por cento. Já a miséria nas zona rurais desceu 12,6 por cento entre 2003 e 2005.

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