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Morte de polícias obrigou Governo a rever estratégia
- 21-Oct-2006 - 16:45
Angola enfrenta uma onda de crime que, finalmente, parece preocupar as autoridades policias em todo o país
A criminalidade urbana em Luanda e um pouco por todo o país começa finalmente a preocupar seriamente as autoridades policiais. Até aqui as autoridades faziam questão de se referir ao fenómeno como estando perfeitamente sob controlo e evidenciando até uma suposta tendência para a redução dos seus níveis.
Por Reginaldo Silva/BBC
O que é facto é que nas últimas semanas, para além da actividade considerada normal dos bandos na capital angolana, integrados fundamentalmente por gente muito jovem, foram mortos pelo menos 6 polícias, executados friamente pelos criminosos.
Depois, a semana passada, correu a notícia que num conhecido e muito populoso musseque da capital angolana, o Rangel, os bandidos que lá actuam tinham anunciado uma espécie de recolher obrigatório a partir das 19 horas.
No último fim-de-semana foi avançada a informação por uma das rádios locais, a Ecclésia, que a polícia iria desencadear em todo o país a "Operação Furacão", destinada a combater a criminalidade.
"Operação Furacão"
Esta operação, caso tenha tido efectivamente lugar, segue-se a duas outras realizadas muito recentemente, com a designação de "Pré-Natal", no âmbito das quais foram neutralizados várias dezenas de grupos criminosos que actuavam em Luanda.
Ambrósio de Lemos, o Comandante-Geral Adjunto da Polícia para a Segurança Pública, disse estarem na forja medidas muito enérgicas para se combater o surto da criminalidade.
"Os delinquentes que tenham cuidado, porque a polícia está vigilante e vamos combatê-los com muita energia porque o nosso país não pode estar à mercê dos bandidos".
Angola já aboliu há muito a pena de morte, mas é ponto assente que o recurso a execuções extra-judiciais dos suspeitos acaba por ser o método que, por razões óbvias, tem mais impacto quando a polícia pretende transmitir determinadas mensagens em situações de crise.
Recolher obrigatório
A propósito do alegado recolher obrigatório decretado pelos bandidos no bairro Rangel, o Comandante Ambrósio de Lemos exortou a população a não se deixar intimidar pelas ameaças dos meliantes.
"Os bandidos querem assustar as populações, mas nós saberemos dar resposta. A única entidade que pode declarar um recolher obrigatório é o governo - se as necessidades assim o exigirem. Não permitiremos que as populações estejam à mercê dos delinquentes".
O alto responsável da polícia angolana faz, esta terça-feira, o balanço da situação da criminalidade no país.
Este preocupante fenómeno é visto por vários especialistas como um dos sintomas mais agudos da crise social que atinge profundamente a juventude angolana, num contexto de globalização.
Sente-se que cada vez mais os marginais que actuam na capital angolana copiam os seus modelos das gangs juvenis brasileiras e norte-americanas.

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