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1.500 crianças infectadas anualmente com HIV/SIDA
- 25-Oct-2006 - 18:12
Cerca de 1.500 crianças da Guiné- Bissau são infectadas, por ano, com o vírus do HIV/SIDA, mas menos de 1 por cento recebe o tratamento necessário, afirmou hoje em Bissau o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Jean Dricot, igualmente presidente do Grupo Temático da ONU sobre HIV/SIDA, falava durante uma reunião de balanço de um ano dos trabalhos ligados ao tratamento pediátrico da doença na Guiné-Bissau, no quadro da campanha mundial sobre crianças e Sida.
"Estima-se que, anualmente, 1.500 crianças são infectadas pelo HIV/SIDA, mas menos de 1 por cento recebe o tratamento necessário", sublinhou Jean Dricot, que garantiu estarem já reunidas as condições no país para que todas as crianças diagnosticadas recebam assistência.
Segundo Dricot, para mudar a realidade, o governo e os parceiros trabalharam ao longo do último ano no sentido de estabelecer estruturas adequadas para a luta contra o HIV/SIDA, na definição da política e protocolo de tratamento de doentes e na disponibilização de medicamentos anti-retrovirais para adultos e crianças.
"A partir de hoje, passa a haver o acesso ao tratamento por parte de todas as crianças diagnosticadas com o HIV/SIDA", afirmou o representante residente da UNICEF, ladeado pela ministra da Saúde guineense, Antónia Mendes Teixeira.
Dricot assinalou que, para a UNICEF, o lançamento do tratamento pediátrico constitui "um avanço positivo" na protecção das crianças guineenses, sublinhando que os medicamentos disponibilizados graças à iniciativa "Brasil + 7", que visa garantir, com o apoio do governo brasileiro, o acesso universal à prevenção da doença, bem como cuidados e tratamento a seropositivos.
A campanha "Unidos pelas Crianças, Unidos contra a Sida" foi lançada em 2005 para chamar a atenção para as dezenas de milhões de crianças que são privadas da sua infância por causa da doença, disse.
"São crianças que perdem a mãe, o pai, os professores, os médicos e os chefes das suas comunidades. São privadas da educação, de cuidados médicos e da possibilidade de ter uma vida saudável", frisou, lembrando que 85 por cento das crianças menores de 15 anos infectadas com HIV/SIDA são oriundas da África Sub-Saariana.
"As crianças infectadas devem ter um tratamento específico, de modo a reverter a disseminação do HIV/SIDA na Guiné-Bissau, de acordo com o número seis do definido nos Objectivos do Milénio, que visa combater a SIDA, malária e outras doenças", acrescentou.
Por seu lado, a ministra da Saúde guineense lembrou que o último Plano Estratégico de Luta contra a Sida na Guiné-Bissau, elaborado em 2005, aponta para que, até 2008, mais de 100.000 guineenses (6,6 por cento dos 1,5 milhões de habitantes) estariam infectados com o vírus.
Esse mesmo plano, acrescentou Antónia Mendes Teixeira, indica que o HIV1 foi responsável, até 2005, por 830 casos de Sida em crianças nascidas vivas de mães seropositivas e que os óbitos entre os adultos no mesmo período deixaram cerca de 9.000 órfãos.
"O governo guineense, subscritor da Convenção e Direitos das Crianças, vem aqui testemunhar a sua vontade política de contribuir conjuntamente com todos os sectores e parceiros do desenvolvimento na luta deste justo direito da criança, o direito à saúde", afirmou.
Para a ministra guineense, a iniciativa representa "uma mais valia" para o país, pois permite acelerar o preenchimento de uma das quatro vertentes de um quadro de acção centrado nas crianças: prevenir a transmissão de pais para filhos, procurar um tratamento pediátrico para as crianças, prevenir a infecção entre adolescentes e jovens e proteger e dar apoio às crianças infectadas.
A iniciativa envolve o governo guineense e os parceiros de desenvolvimento no sector, como a UNICEF, Banco Mundial (BM), Fundo Monetário Internacional (FMI), Brasil e várias organizações não governamentais guineenses e estrangeiras, como a Caritas, Céu e Terra e CIDA/Alternag, entre outras.

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