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Brancas ou excesso de informação?
- 21-Jan-2007 - 17:55


Por vezes todos nos deparamos perante uma folha de papel em branco, ou num monitor, e não sabemos o que lá havemos de escrever. Por vezes até sabemos. O problema é como começar ou, por onde começar.


E é o que se passa neste momento comigo agora que estou a colaborar mais activamente com o regressado – felizmente que temos um feliz regresso – Notícias Lusófonas.

Será porque estou flanqueado, e muito bem, por Jornalistas como os Mestres Orlando Castro ou Fernando Cruz Gomes? Por Jorge Eurico ou Fernando Casimiro?
Talvez, muito provavelmente!

Embora, há muito, que me deixei de me inibir pelo meio ambiente, também não deixa de ser verdade que a vontade de não os desiludir e de os manter interessados na minha companhia possa me colocar nesta momentânea situação: ter muitas ideias, ter muito conteúdo nas gavetinhas arquivadoras do cérebro e não saber o que utilizar em determinado momento. Sei que passa por todos e não sou diferente.

Senão vejamos:

1. Em Portugal poder-se-ia falar das incongruências do MNE – e nem precisávamos de ir para mais longe governativamente – face a 3 questões importantes: as idas e voltas e não idas e voltas dos aviões da CIA que, primeiro, nunca houve indicações claras nesse sentido, depois face às informações e documentos da eurodeputada Ana Gomes, já houve voos e sobrevoos de e para Guantánamo mas sem confirmação da presença de prisioneiros vilipendiados; a não atitude, salvo um pequeno “arrufo” do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação – ufa –, João Gomes Cravinho, sobre a situação da Guiné-Bissau (ah! é verdade, o MNE vai sábado a Bissau num périplo pela região e não especificamente por causa da crise de Bissau – isto está a ser escrito numa sexta-feira pelo que ainda não sei resultados[?]); a ida ou não à China do primeiro-ministro José Sócrates porque as duas personalidades que este desejava “cumprimentar”, o presidente e o ministro da Economia, estão ausentes em visitas de Estado a África (mais uns ajustezinhos leoninos e, quase sempre, de péssima qualidade a favor da nova potência global).

2. Na Guiné-Bissau mantém-se os problemas políticos resultantes do inqualificável assassínio do comodoro Lamine Sanhá; o “exílio” do líder do PAIGC, Carlos Gomes Júnior, na delegação da ONU, em Bissau, devido a uma truanice jurídica criada pelo ministro do Interior e à revelia do direito Constitucional mas que, segundo se consta “cá fora” o presidente Vieira já veio confirmar que terá sido ele a dar a ordem de detenção daquele líder político e ex-chefe de Governo; e as tentativas de silenciamento de vozes críticas como ameaças físico-psicológicas a um jornalista cabo-verdiano ou o fecho da Rádio Bombalom. E tudo isto anda à volta de personalidades que apoiaram o derrube de João Bernardo Vieira, no golpe liderado pelo general Ansumane Mané, em 1998.

Entretanto, não se ouvem as vozes da CPLP, nem da CEDEAO ou da União Africana ou da do candidato presidencial derrotado Malam Bacai Sanhá.

3. Em Angola apesar de ainda estar a decorrer o recenseamento eleitoral já começam a surgir sondagens eleitorais – ou será mais especulação – para os escrutínios de 2008 e 2009. Segundo o ClubK, um portal informativo angolano e elaborado, na sua maioria, a partir da África do Sul – estranhamente o líder deste clube viu a sua permanência revogada pelas autoridades sul-africanas –, citando um semanário independente angolano, as próximas eleições já têm dois vencedores destacados: Eduardo dos Santos e o MPLA.

Até aqui nada de objectar ou de estranhar. As sondagens valem o que valem porque a maior e principal sondagem é aquele que se faz enquanto superior acto cívico de um cidadão: votar.

A dúvida está na informação e no conteúdo da notícia. Crendo no título a sondagem seria válida a todo o país; vendo o conteúdo, constatamos que só se reporta aos municípios de Luanda. Será que Angola é Luanda e o resto não passa de savanas, planaltos, deserto e centros industriais?

Ainda assim, louvem-se a prevista reaparecimento das Secretarias de Estado que se espera possam “libertar” alguns ministros e aumentar a capacidade interventora e funcional do governo nos actos públicos e coragem do centro de Estudos estratégicos de Angola em verberar a possível presença de tropas angolanas no conflito somali, embora como forças de interposição da Paz e sob ordens da UA; sê-lo-ia? com “galos” como a Nigéria e África do Sul a querem também elas comandarem esta força?

4. Em Moçambique que vinha pautando, com maior ou menor regularidade pela observância dos bons costumes governativos viu-se, desta vez, acusado pela ONG, baseada nos EUA, “Global Integrity” de estar entre os 43 países onde a corrupção continua activa e as medidas anti-corruptivas não passam de mera especulação.

Para aquela ONG a má governação e a impunidade dos corruptores devem-se, em grande medida, ao facto do partido Frelimo se sobrepor ao Poder da máquina do Estado, num cenário em que tudo se confunde, não se sabendo, por vezes, qual é o papel efectivo de determinado dignitário do Estado, se executivo, se judicial, se parlamentar, e, ou, quando partidário.

Estranhamente, dos outros países lusófonos, só o Brasil está contemplado e na categoria dos “Moderados”. Dos outros, nem uma linha.

Como se vê, haveria muita matéria para organizar e escrever e, provavelmente, num texto mais curto, mas…

Fica para as próximas crónicas.

elcalmeida@gmail.com
22.01.2007

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