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A alternância não se compra
– conquista-se

- 23-Jan-2007 - 15:26

«A UNITA será poder em Angola no dia em que os angolanos o quiserem. Porque a UNITA é pertença do povo angolano. No nosso país, o processo de democratização é irreversível. Ora, a alternância de poder é uma característica inerente aos sistemas democráticos,» afirmou aqui ao NL, em 26 de Junho do ano passado, Anastácio Sicato, delegado da UNITA em Portugal.

Por Orlando Castro

As afirmações de Anastácio Sicato continuam actuais, sobretudo porque já existe um calendário eleitoral feito, diga-se, à medida do MPLA de Eduardo dos Santos. Mas, no que respeita à UNITA no exterior, nomeadamente em Portugal, urge perguntar o que está a ser feito para justificar, ou apressar, essa alternância de poder.

Não falo de ideias. Essas não faltam. Falo de coisas concretas, de projectos viáveis, de iniciativas com cabeça, tronco e membros. Provavelmente por manifesta ignorância da minha parte, não vejo que a UNITA sobretudo mas não só em Portugal esteja a dar o seu contributo para que os angolanos possam – se assim o entenderem – conhecer um outro Governo e um outro presidente da República.

Anastácio Sicato dizia na referida entrevista, dada ao Jornalista Jorge Eurico, que “tarde ou cedo, o MPLA e o Presidente José Eduardo dos Santos acabarão por ceder o poder a outros”. Mas será que a UNITA está apostada em fazer com que se antecipe a alternância?

Quando olho para sites como o Kwacha.net ou Unitaeuro.com fico com a sensação de que a UNITA está à espera que o poder em Angola caia de maduro, nada fazendo para mostrar aos angolanos que quando o fruto não presta deve ser retirado mesmo verde.

Quando vejo que a UNITA, ao contrário do MPLA, desperdiça tantos e tantos valores que lhe são afectos e que estão espalhados por esse mundo fora, fico com a ideia de que a alternância, se acontecer, se deverá mais ou sobretudo à incapacidade do MPLA do que à acção da UNITA.

Não basta, como disse Sicato, afirmar “que a verdadeira soberania pertence ao povo e a mais ninguém”. É preciso que o povo saiba que tem esse poder e, mais importante, saiba quais são as alternativas.

Não chega, caro Anastácio Sicato, dizer que “só a alternância consolida os regimes democráticos”. A alternância não se compra, conquista-se. E para a conquistar é preciso trabalhar muito. Muito mesmo.

altohama@clix.pt
23.01.2007


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