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Brasil vai a Davos também procurar investidores
- 24-Jan-2007 - 15:57
O Presidente do Brasil viaja hoje para Davos, onde vai defender no Fórum Económico Mundial o recomeço das negociações da ronda de Doha e procurar atrair investidores, no âmbito do plano anunciado segunda-feira para acelerar o crescimento económico brasileiro.
Luiz Inácio Lula da Silva será o único chefe de Estado sul- americano no encontro na Suíça, que decorrerá até Domingo sob o tema "The Shifting Power Equation".
O Fórum deverá questionar o baixo desempenho da economia brasileira, que cresceu apenas 2,6 por cento no ano passado - um crescimento muito tímido se comparado à China e à Índia, na faixa dos 10 por cento, ou mesmo a outros países sul-americanos, como a Venezuela (mais de 10 por cento) e a Argentina (cerca de sete por cento).
Lula da Silva vai destacar o chamado Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), divulgado na última segunda-feira, e deverá fazer um discurso baseado no que pronunciou ao apresentar o PAC, onde defendeu um crescimento sem medidas radicais e contrárias à democracia.
Será um discurso para os ouvidos dos investidores estrangeiros, que terão do governo brasileiro a garantia de melhores condições de negócios e de infra-estrutura no Brasil nos próximos anos.
O PAC engloba uma série de medidas para estimular o investimento público e de empresas privadas, no total de mais de 500 mil milhões de reais (182 mil milhões de euros) em obras até 2010, principalmente em infra-estruturas.
O governo de Lula da Silva aposta num crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 4,5 por cento em 2007 e cinco por cento nos três anos seguintes, o dobro do crescimento registado pela economia brasileira em 2006.
A actual ronda de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) para liberalizar o comércio agrícola, industrial e de serviços também estará na agenda dos líderes políticos, representantes comerciais e negociadores de diversos países.
Na reunião sobre Doha em Davos, deverão participar, além de Lula da Silva e do ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, o director-geral da OMC, Pascal Lamy, o primeiro-ministro inglês, Tony Blair, o Presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, a representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, o comissário europeu Peter Mandelson e os ministros de Comércio da Índia, Kamal Nath, da Austrália, Warren Truss, e do Japão, Akira Arnari.
Na liderança do G-20, grupo de países em desenvolvimento criado em Agosto de 2003 por iniciativa do Brasil, Índia e África do Sul, o governo brasileiro vai actuar para desbloquear politicamente as negociações da Ronda de Doha no mais breve prazo possível, segundo fontes diplomáticas.
A Ronda de Doha, que estabeleceu, em 2001, os parâmetros para o início das negociações mundiais de comércio, deveria ter sido encerrada no ano passado, mas as actividades foram suspensas por tempo indeterminado em meados de 2006, em Genebra, devido à falta de acordo entre os países sobre a abertura dos mercados agrícolas e industriais.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará ainda num debate do Fórum Económico Mundial sobre erradicação da fome.
Segundo o Palácio do Planalto, o Presidente brasileiro terá também encontros bilaterais com líderes políticos, como Tony Blair e o Presidente do México, Felipe Calderón, e com grandes empresários, como os presidentes da Coca-Cola, Neville Isdell, e do Google, Eric Schmidt.
Além de Celso Amorim, acompanham Lula da Silva os ministros das Finanças, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Esta será a primeira vez, desde que chegou à presidência, que Lula da Silva estará presente no Fórum Mundial Económico mas ausente do Fórum Social Mundial, que decorre este ano em Nairóbi, no Quénia.
Em 2003 e em 2005, o Presidente participou nos dois encontros "opostos" e em 2004 e 2006, Lula não foi ao Fórum Social, mas também não foi a Davos.

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