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Comércio com países africanos mais que duplicou em quatro anos
- 6-Feb-2007 - 17:31
O fluxo comercial entre o Brasil e os países africanos mais que duplicou nos últimos quatro anos na sequência de uma recente aproximação dos dois lados do Atlântico, segundo dados oficiais.
No ano passado, o fluxo comercial ascendeu a 15,54 mil milhões de dólares, resultado 153 por cento superior ao registado em 2003, que foi de 6,15 mil m ilhões de dólares.
"Estes dados representam o grande potencial do relacionamento comercial entre o Brasil e os países africanos", afirmou à Agência Lusa o presidente da Câmara de Comércio Brasil-África do Sul, Fernando Tomé.
No ano passado, o Brasil exportou 7,45 mil milhões de dólares para África e importou 8,09 mil milhões de dólares, o que resultou num fluxo comercial favorável aos parceiros africanos de 640 milhões de dólares.
Fernando Tomé salientou que o Brasil vende maioritariamente peças para automóvel, alimentos congelados e produtos cerâmicos, e compra matérias-primas, como minérios.
"As exportações brasileiras tendem a aumentar porque são basicamente de produtos populares, voltados para o consumidor de pequeno poder de compra, a faixa de consumo que mais aumenta em África", disse.
Criada em 1991, a Câmara de Comércio Brasil-África do Sul está a preparar uma importante missão comercial brasileira que participará na SAITEX, uma das maiores feiras sul-africanas, que decorrerá em Outubro deste ano.
Na feira participação de 50 empresas brasileiras interessadas em alargar os seus negócios com o maior parceiro comercial do Brasil em África.
"A aproximação do Mundial de 2010, a ser realizado na África do Sul, será uma oportunidade para as empresas brasileiras do sector desportivo", considerou o responsável.
Um recente relatório do Centro de Estudos Afro-Asiáticos do Rio de Janeiro indicou também um aumento dos investimentos de empresas brasileiras em África, como a Construtora Norberto Odebrecht.
Uma das pioneiras do investimento brasileiro em África, a empresa "experimentou uma continuada ampliação de suas actividades no continente africano", refere o estudo do investigador Ivo de Santana.
Maior empresa de engenharia da América Latina, a Norberto Odebrechet é a construtora brasileira com maior presença no estrangeiro, com a realização de obras em 14 países.
Em Angola, a empresa participa da exploração de diamantes em Catoca e da construção do primeiro centro de compras de Luanda, em parceria com o grupo angolano HO Gestão.
A estatal Petrobrás também tem investimentos em África, nomeadamente na exploração de petróleo em Angola e na Nigéria, em parceria com as suas homólogas locais.
A Companhia Vale do Rio Doce, a maior produtora mundial de minério de f erro, informou recentemente que investirá 70 milhões de dólares (54 milhões de euros) em Moçambique.
Trata-se do projecto de exploração de carvão de Moatize, que envolve investimentos totais de 870 milhões de dólares e cujo estudo de viabilidade deverá ser finalizado no primeiro semestre deste ano.
A exploração de carvão em Moatize, objecto de um concurso público vencido pela companhia em 2004, envolve investimentos totais de cerca de 870 milhões de dólares (672 milhões de euros).
Por seu lado, a brasileira Marcopolo, maior fabricante de carroçarias d a América Latina tem uma fábrica na África do Sul, além de unidades em Portugal, México e Colômbia.
Não existem estatísticas sobre o investimento brasileiro em África, mas recentemente o Banco Central do Brasil informou que o total investido pelas empresas brasileiras no estrangeiro ascendeu a 72 mil milhões de dólares (55,6 mil milhões de euros).
Actualmente, o Brasil é o quarto maior investidor no estrangeiro, entre os países emergentes, atrás da China, Singapura e Taiwan, segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
As empresas brasileiras no estrangeiro empregam mais de 42.000 trabalha dores em 48 países, nos cinco continentes.

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