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Alto Hama
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As (muito duras) verdades de Sebastião Veloso
- 9-Feb-2007 - 9:36
A entrevista que Sebastião Veloso, ex-ministro da Saúde de Angola, dá ao Angolense seria mais do que suficiente para, num Estado de Direito, o primeiro-ministro ter de prestar sérias contas e até ser demitido. Mas como tudo se passa em Angola… a UNITA “comeu e calou”, o MPLA continua rei e senhor, Eduardo dos Santos mantém os aviões prontos para tratar da sua saúde… fora do país.
Por Orlando Castro
«Fiquei surpreendido quando me disseram que a ressonância magnética também não poderia ser montada, o aparelho já está no país, está num hospital, gastamos dinheiro do nosso petróleo para deixa-la estragar-se», afirma Sebastião Veloso num diagnóstico terrível para o poder político do país.
Como é que isso acontece? Vejamos o que diz o ex-ministro da Saúde:
«Mas já entendi que isso não é problema para muitos, encontrei no Hospital de Reabilitação Física 11 contentores cheios de material que se estragou. Entendi que para algumas pessoas gastar avultadas somas e estragar o produto adquirido não é problema.»
Nem mais. Contentores cheios de material que se estragou? Claro! Eram para tratar o povo e esse que se lixe. Sim, que o primeiro-ministro e toda a liderança política, económica e social de Angola não precisa desse material para tratar da sua saúde. Para esses há outros destinos.
«A mim custa-me muito quando comparo Angola com Moçambique, um país pobre, sem grandes recursos, mas com um sistema de saúde muito melhor, a taxa de mortalidade infantil em Angola é das piores e Moçambique está na posição 63, numa escala de 194 países. Veja, Moçambique tem 600 médicos, Angola tem o dobro, mas o nosso sistema de saúde é pior», conta Sebestião Veloso, um político sério e competente que foi trucidado por querer dar ao povo o que ele merece: melhor saúde.
A substituição de Sebastião Veloso por outro político sério e competente, Anastácio Sicato, não vai alterar este estado de coisas. Na saúde, como em tudo na vida, para os grandes males que assolam Angola são precisos grandes remédios. E este não são aspirinas, nem sequer aparelhos de radioterapia.
Os problemas da saúde, como os de quase todos os outros sectores, só se resolvem cortando o mal pela raiz. Ou seja, mudando de Governo e, é claro, de políticas.
A bem do povo e de um país que, rico como é, continua a ter – por exemplo – uma das maiores taxas de mortalidade infantil do mundo. É claro que também tem contentores cheios de material a apodrecer…
altohama@clix.pt
09.02.2007

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