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Parabéns ao Sim
- mas a luta continua

- 11-Feb-2007 - 22:42

O secretário-geral do PS, e também primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, afirmou hoje que os portugueses “deram com o seu voto um bom contributo para a dignificação da democracia em Portugal”, sublinhando que a interrupção voluntária da gravidez "deixará de ser um crime" no país, que deve agora dar espaço a “um período de reflexão”. Usando já o meu direito de reflexão digo que, de facto embora ainda não de jure, o aborto deixou de ser (pela maioritária vontade dos que votaram) um crime para passar a ser um negócio.


Por Orlando Castro

Por alguma razão até Março já estará a funcionar em Lisboa uma clínica privada espanhola especializada em abortos. Se não é crime… avancem os euros, entre 350 e 500, e o problema será resolvido à boa maneira, segundo Edite Estrela, dos países civilizados da Europa.

Embora o Não tenha perdido, espero que não tenha sido derrotado. Isto porque só é derrotado quem desiste de lutar.

E, na minha opinião, a luta tem de continuar porque – salvo as razões previstas até hoje – os filhos (mesmo que antes das dez semanas) não têm culpa das eventuais asneiras dos pais, como não são culpados de serem gerados num país que dará entre 350 e 500 euros para os matar.

Acredito aliás que José Sócrates, enquanto secretário-geral do PS e primeiro-ministro, tudo fará para que as mães que pretendam abortar possam beneficiar da mesma quantia se quiserem para o filho o mesmo que querem para elas: o direito à vida.

Por último, gostei de ver algumas alterações de posicionamento (obviamente conscientes) dos militantes socialistas que, na altura do referendo anterior, concordaram com a opinião do então líder do PS, António Guterres, e que hoje deram o salto para estar de acordo com o novo chefe.

Tal como amanhã darão outro salto qualquer. Mas essa é uma outra história.

altohama@clix.pr
11.02.2007

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