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Angola
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Global Witness pede libertação imediata de activista
- 19-Feb-2007 - 14:08
A Global Witness, organização de defesa dos Direitos Humanos, exigiu hoje a "libertação imediata" da activista Sarah Wykes, que domingo foi detida pelas autoridades angolanas no enclave de Cabinda (ver a nossa Manchete de ontem).
"O governo e a polícia angolana deverão libertar imediatamente a Drª Sarah Wykes e explicar quais são as acusações que levaram à sua detenção", defende a Organização Não Governamental (ONG) com sede em Londres.
Simon Taylor, um porta-voz da ONG, garantiu que a Global Witness "tem sido paciente, mas não pode esperar mais".
"Ela está presa desde ontem [domingo] e estamos preocupados com a sua segurança".
"Não queremos piorar a situação e estamos dispostos a esquecer este disparate completo, mas apenas se ela for libertada imediatamente", diz Taylor.
De qualquer forma, acrescenta, "é evidente que a embaixada britânica em Angola está a acompanhar o caso, assim como o Departamento de Estado norte-americano, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, e todas as entidades que conseguimos contactar até ao momento".
"Esta situação é inaceitável e está claro que as autoridades angolanas foram longe de mais", defende o mesmo responsável.
Sarah Wykes trabalha para a Global Witness há mais de seis anos e está envolvida em questões relacionadas com transparência na indústria de extracção do petróleo.
"Não é uma simples activista. É uma profissional muito importante da nossa organização, conhecida internacionalmente, que participou em várias reuniões internacionais ao mais alto nível sobre estas questões", explica Taylor.
De acordo com a Global Witness, Sarah Wykes estava em Cabinda a "fazer aquilo que faz em todo o mundo com regularidade", ou seja, reunir-se com vários representantes da sociedade civil, recolher informações e ouvir opiniões.
Na noite de sexta-feira, a viagem terá começado a correr mal quando a polícia angolana a interpelou no enclave e depois de algumas perguntas decidiu confiscar-lhe o passaporte.
Um advogado de Luanda que estava na cidade, David Mendes, foi então contactado pela Global Witness para ajudar a recuperar o documento, o que conseguiu fazer em poucas horas.
Na madrugada de domingo, no entanto, os agentes da Direcção de Investigação Criminal - equivalente à Polícia Judiciária - regressaram ao hotel onde a inglesa estava hospedada, alegando que ela tinha de se deslocar até à esquadra local para ser interrogada.
"A Sarah recusou porque, apesar de os agentes serem muitos e falarem num tom ameaçador, não tinham mandato", explicou Taylor.
Por volta das 10:30 da manhã, o mandato foi exibido e Sarah acabou por ser levada para a esquadra onde terá sido interrogada durante sete horas.
"Acusavam-na de ter material subversivo e por isso também passaram horas à procura de alguma coisa na estalagem", adiantou o mesmo responsável.
Simon Taylor garante que a polícia não encontrou "absolutamente nada".
"Ela simplesmente não tinha nada de subversivo. Eu estive pessoalmente envolvido na organização da viagem, estive em contacto permanente com ela e por isso sei que tudo isto é um disparate".
A meio da tarde de domingo, apesar de todos os esforços feitos pela Global Witness, Sarah foi acusada de espionagem e enviada para a prisão central da capital do enclave, onde permanece detida.
O porta-voz da organização a que a activista pertence garante que tudo será feito para que a situação seja resolvida nas próximas horas.
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