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  Alto Hama

Isaías Samakuva acertou em cheio

- 7-Mar-2007 - 16:46

O discurso à Nação feito por Isaías Samakuva já está (ainda bem) a fazer estragos. O presidente do Tribunal de Contas (TC) de Angola reagiu considerando que já não há tanta corrupção no país como havia antes da instituição daquele órgão fiscalizador há seis anos, embora reconheça que o fenómeno não foi ainda "eliminado". E, por não ter melhor argumento, justificou que o líder da UNITA Não é “uma voz autorizada para falar do assunto”. Pois não. Não a pratica...


Por Orlando Castro

"Não posso dizer que em seis anos tenha sido eliminado o fenómeno corrupção, continuamos a combatê-lo, mas o reforço na fiscalização preventiva permite-nos concluir que já não há em Angola a mesma corrupção de ontem", disse Julião António, dizendo que o único dono da verdade é o TC por ser quem “controla a aplicação do Orçamento Geral do Estado".

Vê-se bem que em Angola é muita gente (do MPLA) em altos cargos que não sabe o que diz e, também é verdade, não diz o que sabe.

"O quadro de antes do início do funcionamento do TC difere bastante do quadro actual. O TC funciona há seis anos e os resultados são animadores", reiterou Julião António certamente lendo o manuel de instruções do partido.

O presidente do TC afirmou ainda que se antes não havia prestação de contas, com este órgão, e só no ano passado houve mais de 700 processos para apreciação e recomendações, considerando que se trata de "um indicador de que o país mudou".

Mudou? Mudou sim senhor. Para pior, como bem sabem os poucos que têm milhões e os milhões que têm pouco ou nada. Ou seja, todos sabem.


"É raro que algum contrato (público) com incidência financeira entre em execução sem que passe pelo Tribunal de Contas", por isso, "não se pode dizer que o país está na mesma", referiu em declarações à Lusa o máximo responsável da fiscalização das conta spúblicas em Angola.

Dando uma no cravo e outra na ferradura, Julião António diz que se é certo que ainda "não é uma realidade efectiva" a existência de ética na gestão do erário público, o actual padrão de comportamento dos gestores públicos já se modificou.

Claro que modificou. Há mais gente a comer na gamela da corrupção. Apenas isso.

altohama@clix.pt
07.03.2007


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