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  Brasil
Guerra à tuberculose
conta com o apoio
de Jorge Sampaio

- 21-Mar-2007 - 17:23


Ex-Presidente da República portuguesa visita Moçambique como enviado especial das Nações Unidas

O ex-Presidente português Jorge Sampaio desloca-se a Moçambique de 2 a 4 de Abril na qualidade de enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para o combate à tuberculose. De acordo com a directora do Programa Nacional de Combate à Tuberculose no Ministério da Saúde moçambicano, Paula Samo Gudo, o programa da visita está ainda a ser ultimado.


No final de Fevereiro, o ministro moçambicano da Saúde, Ivo Garrido, reconheceu que as autoridades sanitárias do país perderam o controlo no combate à tuberculose, que só em 2006 conheceu 35 mil novos casos.

Esse úmero, admitiu o ministro, pode corresponder a apenas metade das novas infecções ocorridas no ano passado.

"É possível que o número de novas infecções seja de facto o dobro dos 35 mil novos casos diagnosticados em 2006", sublinhou então o ministro moçambicano.

O titular da pasta da Saúde de Moçambique sustentou o seu pessimismo em relação ao quadro real da tuberculose no país, por haver ainda "muitas unidades sanitárias sem capacidade para detectar a doença".

Além do fardo que a doença representa para a saúde pública, a tuberculose é também um encargo para o Orçamento do Estado, uma vez que o tratamento de cada doente custa 20 dólares (30 dólares para casos de tuberculose resistente), acrescentou Garrido.

Para contrariar este cenário, o Governo de Moçambique aposta no alargamento dos programas de combate à tuberculose a todas as unidades sanitárias do país, frisou.

Por seu turno, Jorge Sampaio tem chamado a atenção para os progressos "verdadeiramente incipientes" no combate à doença, alertando que se não forem adoptadas medidas preventivas podem surgir 200 milhões de novos casos nas próximas duas décadas.

"Se não houver incremento das medidas de controlo, o número de casos/ano aumentará para 11 milhões em 2020, com um total de 200 milhões de novos casos nas próximas duas décadas", afirmou Sampaio ao participar na semana passada, no Porto (norte de Portugal), no encerramento do XIV Congresso de Pneumologia do Norte.

Desde que tomou posse, a 11 de Maio de 2006, um dos objectivos centrais de Sampaio tem sido garantir o financiamento e a aplicação do Plano Global para Travar a Tuberculose (2006-2015), lançado em Davos, em 2006, e melhorar a coordenação entre a luta contra o HIV-SIDA e a da tuberculose.

A missão de Jorge Sampaio, que se prolongará por dois anos, implicará a mobilização da comunidade internacional e a manutenção na agenda política do combate à tuberculose como a prioridade, através do financiamento e da ajuda ao desenvolvimento e da execução do plano da ONU.

A tuberculose é a segunda maior causa de morte por doenças infecciosas no mundo, matando cerca de dois milhões de pessoas por ano, cinco mil por dia, que afecta em especial o continente africano e países como a Índia, China, Indonésia, Rússia e o Brasil.

Além de Moçambique, o ex-Presidente português irá ainda deslocar-se à África do Sul e ao Malaui.


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