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Masculinização da Sida em Cabo Verde é superior à de África
- 28-Mar-2007 - 14:24
Contrariamente à feminização do HIV/Sida em África onde as mulheres representam cerca de 60 por cento dos seropositivos, em Cabo Verde os homens contraem três vezes mais o vírus da doença do que as mulheres, soube a PANA na Praia de fonte sanitária.
Segundo dados revelados pelo Comité de Combate à Sida em Cabo Verde (CCS-Sida) durante uma cerimónia que assinalou o Dia da Mulher Cabo- verdiana, que se assinala a 27 de Março, no país onde a taxa geral de prevalência do vírus é de 0,8 por cento, a taxa de prevalência nas mulheres é de 0,4 por cento e nos homens de 1,1 por cento.
O secretário executivo do CCS-Sida, Artur Correia, disse que os dados mostram que as mulheres têm um melhor acesso aos meios de diagnóstico e apresentam menos comportamentos de risco do que os seus parceiros, o que poderá explicar a taxa de prevalência mais baixa do HIV no seio da camada feminina.
"Não é por acaso que o último estudo realizado demonstrou que o número de homens que referem ter tido relações com parceiros não regulares é quatro vezes maior do que o número de mulheres", sublinhou.
Adiantou que a aposta na prevenção da transmissão vertical é uma preocupação do Plano Nacional de Combate à Sida 2006-2010, realçando que nos últimos anos Cabo Verde passou de dois mil para 11 mil testes da doença, dos quais mais de metade são efectuados às grávidas.
A CCS-Sida garante que cerca de 80 por cento das grávidas em Cabo Verde têm acesso aos meios de diagnóstico e são distribuídos gratuitamente a todas as grávidas seropositivas medicamentos anti- retrovirais para diminuir os riscos de transmissão da doença da mãe para o filho.
O secretário executivo do CCS-Sida considera, entretanto, que esta aposta forte na prevenção da transmissão de mãe para filho, que tem como objectivo diminuir o número de crianças que nascem com o vírus, apesar de ser um compromisso do país deve ser, sobretudo, das mulheres.
Embora o objectivo seja conseguir que até 2010 todas as grávidas façam o teste e o tratamento, Artur Correia reconhece ser objectivo difícil de conseguir, já que nem todas as grávidas seropositivas aceitam seguir o tratamento.
O secretário executivo da CCS-Sida anunciou, igualmente, que nos próximos tempos o Brasil vai apoiar Cabo Verde na criação de um banco de leite para que as mães seropositivas que não amamentam os seus filhos tenham à disposição leite materno doado por outras mães.
Cabo Verde conta com o apoio do Brasil na prevenção da transmissão vertical, através da cooperação com a organização Laços Sul/Sul, que disponibiliza assistência técnica e medicamentos anti-retrovirais para as grávidas.
Fonte: Panapress

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