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  Brasil
«Lisboa quer constituir parceria estratégica com Luanda»
- 9-Apr-2007 - 17:22


Portugal pretende constituir "uma parceria estratégica" com Angola e quer "um diálogo político mais intenso" entre Lisboa e Luanda, disse hoje à Agência Lusa o embaixador português Francisco Ribeiro Telles.


O diplomata chegou à capital angolana no princípio de 2007, depois de quatro anos como embaixador em Cabo Verde, mas só na quinta-feira pôde entregar as cartas credencias ao Presidente José Eduardo dos Santos e, assim, assumir o cargo em toda a sua plenitude.

Em entrevista à Agência Lusa, apesar de considerar que nunca a relação entre Angola e Portugal "foi tão boa", Francisco Ribeiro Telles adiantou que o seu "principal objectivo" é elevar essa relação "a um patamar de excelência", para que os dois países possam "construir uma parceria estratégica exemplar nos domínios que interessam a ambos os países." "Tem de haver um diálogo político mais intenso com Angola, estendendo esse diálogo aos domínios técnicos, porque as relações são de tal modo importantes para os dois países que se têm de manter numa base regular", disse.

Ribeiro Telles especificou que "é intenção dos dois governos manter um diálogo político mais intenso do que aquele que existia até agora".

"Estamos a trabalhar na hipótese de poder haver reuniões mais frequentes, a nível dos dois Ministérios dos Negócios Estrangeiros e, eventualmente, também haver encontros mais frequentes a nível mais elevado", explicou.

A parceria entre os dois países poderá estender-se também à China em alguns sectores económicos, nomeadamente no domínio dos materiais de construção.

"Estamos realmente abertos a uma cooperação tripartida com a China aqui em Angola em sectores que poderemos discutir, desde que esta contribua para o desenvolvimento económico e social de Angola", afirmou.

Em relação a algumas vozes críticas que consideram ter Portugal uma posição subserviente em relação à sua antiga colónia, Francisco Ribeiro Telles contesta a posição.

"Portugal não tem nenhuma política subserviente, tem uma relação aberta e franca, de igual para igual, com Angola", garantiu.

Angola "é um país com importância crescente" para Portugal, "as nossas exportações para Angola aumentaram o ano passado à volta de 55/56 por cento", frisou o diplomata.

"Portugal exporta para Angola cinco vezes mais do que exporta para o Brasil, 16 vezes mais do que exporta para Moçambique, seis vezes mais do que exporta para a China, sete vezes mais do que exporta para Marrocos. Isto dá uma ordem de grandeza bastante significativa", perspectivou.

"É evidente que são relações, tendo em conta o nosso passado, que têm de ser geridas com muita prudência e muita cautela, mas isso não implica subserviência", acrescentou.

Para Francisco Ribeiro Telles "há, de facto, uma relação especial entre Portugal e Angola", o que requer, tanto do lado português, como angolano, "uma gestão dessa relação bastante cuidada".

"Tudo o que tem a ver com a relação com Portugal atinge aqui uma dimensão muito maior, precisamente por causa desse relacionamento especial. Se o problema das cartas de condução tivesse sido com outro país qualquer não atingiria a carga emotiva que muitas vezes assumem aqui este tipo de problemas", resumiu o embaixador.

Aliás, Ribeiro Telles referiu que "a ideia de manter um diálogo permanente entre Portugal e Angola" visa, precisamente, "actuar de forma a evitar que esse tipo de problemas" possa voltar a surgir.

Em Março, as autoridades angolanas resolveram impedir os cidadãos portugueses de conduzir com a licença de Portugal, como forma de retaliação pelo facto dos cidadãos angolanos não o poderem fazer em Portugal com licença angolana Ribeiro Telles aproveitou a oportunidade para refutar as críticas sobre a gestão da crise das cartas de condução, adiantando que "a solução encontrada foi célere em relação ao que estava em jogo".

Quanto à segunda cimeira União Europeia-África, que Portugal pretende realizar durante a sua presidência dos 27, no segundo semestre deste ano, o embaixador reitera que Lisboa tem uma "posição muito clara: a cimeira não pode estar refém de um único país".

"Muita coisa aconteceu desde a última cimeira, há sete anos, de modo que é preciso estabelecer novas prioridades, uma nova agenda e não devemos ficar presos na questão do Zimbabué", disse.

"Para nós, há duas questões essenciais: a cimeira é de tal modo importante, para a Europa e para África, que não pode ficar refém de um país e está fora de questão não haver uma participação do Zimbabué na cimeira", concluiu.


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