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  Brasil
«Angola exige muita prudência a portugueses», afirma especialista
- 17-Apr-2007 - 18:43


A abordagem ao mercado angolano exige "muita prudência" aos investidores portugueses, que devem procurar associar-se a empresas locais e também de Espanha ou Brasil, defende António Vilar, advogado e president e da Fundação Luso-Africana.


No livro "Guia de Negócios em Angola", a lançar no final da semana, o advogado portuense retrata a situação económica de Angola, que, segundo as projecçõe s actuais, registará este ano a mais elevada taxa de crescimento do mundo, e conclui que "enganam-se bem as empresas [portuguesas] que pensarem que tudo se consegue com a criação de um qualquer departamento ou anexo internacional".

Apesar de as muitas oportunidades existentes testarem o tento dos investidores, "a decisão de fazer negócios em Angola tem de ser tomada com muito cuidado " - "à ousadia, há que juntar muita prudência", defende António Vilar, no livro.

Antes da decisão de investir, afirma o advogado e professor universitário, é necessário um estudo prévio de viabilidade do investimento, além da análise financeira do mesmo.

Reunidas as condições para o investimento - recursos humanos e plano de negócios, entre outras - "a busca de alianças estratégicas locais é um ponto a não descurar, sendo certo que o interesse empresarial é recíproco".

"Há que sublinhar, no transe, a necessidade de perceber a cultura dos actores locais, as suas expectativas e padrões de comportamento, bem como os interes ses instalados de outras empresas", refere.

Em relação a outros países, os portugueses têm vantagem de conhecer Angola, falarem a mesma língua e disporem de tecnologia adequada ao actual estado de desenvolvimento do país, sublinha.

"São estas as vantagens competitivas que têm de ser exploradas, mas também para fazer de Portugal uma plataforma euro-atlântica incontornável para outros países europeus que visem o mercado angolano", afirma Vilar.

O livro do advogado portuense, em vias de abrir escritório em Luanda, será apresentado, justamente, num seminário da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, dedicado ao tema "Portugal como Plataforma de Negócios em Angola".

Beneficiando da riqueza do petróleo e diamantes, a economia apresenta eleva do potencial de progresso, e "é aqui que surgem oportunidades, quer de alianças com empresários locais, quer de joint-ventures com empresas de outros países, sobretudo espanholas e brasileiras".

A janela de oportunidade que é Angola mostra-se tanto mais importante, considera, quanto "em tempos de globalização, é notório o esgotamento do modelo tradicional de Portugal, consubstanciando-se o mundo em português como novo espaço privilegiado para muitas empresas, que só na internacionalização poderão encontrar um destino útil".

"A ideia e a prática da lusofonia, de resto, implicará, mais tarde ou mais cedo, uma coordenação de interesses alargada a outros países de língua oficial portuguesa", defende António Vilar.


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