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using defalts layout A manifestação, convocada pela Associação dos ex-Militares das Forças Armadas Portuguesas (AMFAP), durou cerca de duas horas em frente as instalações da missão diplomática de Portugal.

Os presentes empunhavam algumas faixas e cartazes, num dos quais se lia: "Nós, os ex-militares das Forças Armadas portuguesas na Guiné, exigimos o cumprimento dos acordos de Argel de 1974".

Um dos presentes, Umaru Djaló, que disse pertencer à célebre Companhia dos Caçadores 05, trazia a "sua bandeira de Portugal", que agitava ao som de palavras de ordem que lançava de forma insistente: "Lutei por esta bandeira, agora quero que Portugal me pague o meu direito".

Mário Pires dos Santos afirmou ter sido preso pela tropa do PAIGC durante mais de quatro meses, "apenas" por "acreditar na bandeira portuguesa".

Por isso, frisou, exige "reparos pelos danos" que disse ter sido vítima durante a prisão.

Das poucas mulheres que acederam a falar aos jornalistas, Quinta Gomes, hoje com 57 anos, declarou ter sido obrigada a "cozinhar e a lavar a roupa" dos soldados que faziam parte da companhia do célebre capitão António Curto.

"Lavei roupa, cozinhei e carreguei munições para a tropa colonial. Fiz parte da Companhia Manjaca de Bachil, do capitão Curto", lembrou Quinta Gomes, que disse ter sido mobilizada ainda rapariga, pelo que exige agora os seus direitos para garantir o sustento dos seus sete filhos.

O grupo, constituído por homens, mulheres e alguns jovens, filhos de ex-soldados, acabou por mandatar três elementos para uma reunião com o embaixador de Portugal em Bissau, José Manuel Paes Moreira, coadjuvado pelo conselheiro da em baixada Frederico Silva e o adido de Defesa, Francisco Nogueira.

À saída da reunião, o embaixador Paes Moreira destacou a forma cordial como decorreu o encontro, deixando, no entanto, ao adido de Defesa a tarefa de explicar as conclusões.

Em suma, Francisco Nogueira afirmou que Portugal cumpriu e cumpre a lei em relação aos ex-soldados que lhe prestaram serviço. Contudo, cabe ao Estado guineense regularizar as exigências dos membros da AMFAP.

Segundo este responsável, Portugal não deve nada aos antigos militares guineenses que serviram a bandeira lusa, na medida em que a responsabilidade pelo pagamento de quaisquer pensões foi transferida ao governo guineense.

Esta posição foi rejeitada de forma categórica pelo porta-voz da AMFAP, Rui Ferreira, para quem Portugal assume agora a atitude de "Pilatos, lavando as suas mãos num assunto da sua inteira responsabilidade".

"Nós lutámos a favor de Portugal, como é que Portugal vem agora dizer que não nos deve nada. Não lutámos para a Guiné-Bissau", defendeu Rui Ferreira, que falava em nome de mais de seis mil ex-soldados guineenses que serviram Portugal.