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Fátima Roque quer desenvolvimento participado
- 2-May-2007 - 10:42
A aplicação da Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano (NEPAD) com a participação de todos e ajustada às realidades das populações é o tema do novo livro da economista angolana Fátima Roque a lançar na quinta-feira, em Lisboa.
Para Fátima Roque, o livro demonstra que a NEPAD, programa que aplica ao continente africano os princípios do desenvolvimento económico sustentável, tem de ser traduzida por cada país, dado os diferentes estados de desenvolvimento, e aproximar-se das realidades das populações.
"Porque é que a NEPAD não é conhecida? Porque não existe para a sociedade civil, só para as elites?", interroga a autora de "A África, a NEPAD e o Futuro" em conversa com a Agência Lusa, respondendo prontamente: "é absolutamente essencial a participação e a partilha de todos, através de planos de acção que ponham em prática os princípios acordados".
Se os governos não ouvirem as populações sobre o que faz falta - "seja um fontanário, uma vaca, um porco ou uma instituição financeira de microcrédito" - os planos resultantes "serão o mesmo que um comboio só com locomotiva, sem carruagens", diz Fátima Roque.
Para a economista, pouco querem dizer as elevadas taxas de crescimento económico registadas em muitos países africanos, muitas vezes sustentadas unicamente na venda de matérias-primas ao estrangeiro.
"Isso não é desenvolvimento, é crescimento. Reprovava qualquer aluno de 1º ano que me dissesse o contrário", frisa a professora da Universidade Lusófona da Lisboa.
"A África, a NEPAD e o Futuro" é o 11º e provavelmente último livro de Fátima Roque que agora pensa regressar a Angola dedicar-se à política.
"Tenho 56 anos e já dei muito a África. Deixo ficar este contributo para aquela que é a minha terra, por nascimento e por opção, e mantenho a esperança num futuro brilhante para o continente", refere Fátima Roque, radicada em Lisboa.
Sobre o futuro, afirma que vai "pousar a pena", ao fim de dois livros sobre África e nove sobre o seu país, incluindo "Construir a Paz em Angola", escrito após as falhadas eleições de 1992, na sequência das quais chegou a estar presa.
A economista e professora universitária tenciona manter-se ligada ao ensino e à investigação, mas assume o desejo de regressar à sua terra natal e admite ser candidata às próximas eleições legislativas em Angola, mas apenas como independente, e "dificilmente" pela UNITA, partido de que foi dirigente e do qual foi expulsa em 1997, pelo então presidente Jonas Savimbi.
A edição portuguesa do livro, apoiada pelo Círculo de Reflexão Lusófona e pela Câmara Municipal de Lisboa, a apresentar publicamente na quinta-feira, será mais tarde lançada em Cabo Verde, Moçambique, Angola e provavelmente também no Brasil.
Na forja, segundo adiantou a autora, estão traduções para inglês e francês, porque, frisa, os destinatários do livro são todos os africanos, não apenas aqueles que falam português.
O livro de Fátima Roque é prefaciado por Almeida Santos e por duas personalidades que Fátima Roque considera que "já passaram à classe de sábios africanos" - o ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano e o escritor e diplomata cabo-verdiano Onésimo da Silveira.
A autora confessa-se surpreendida por estes dois "sábios africanos" terem anuído ao seu convite, tendo Onésimo da Silveira, por quem afirma sempre ter tido grande admiração, "avalizado em termos políticos" as propostas avançadas no livro.

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