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Angola dá os primeiros passos para produzir energia nuclear
- 7-May-2007 - 15:30
Rumores dizem que Luanda prepara a instalação de centrais nucleares com o apoio da China. Serão só rumores?
Angola está a dar os primeiros passos para desenvolver a energia nuclear, estratégia encarada pelas autoridades para aumentar de forma decisiva a capacidade energética do país, mas declara rejeitar o desenvolvimento de armas nucleares. "O país tem limitações na produção de energia, então porque não começar a pensar-se em projectos que, no futuro, possam produzir energia a partir de fontes nucleares?", questionou o ministro da Ciência e Tecnologia, João Baptista Ngandajina, citado pela Voz da América (ver opinião de Eugénio Costa Almeida).
Angola é membro da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) desde 1999 e a designada Lei da Energia Nuclear está agora na sua fase final de elaboração, devendo chegar em breve ao Parlamento.
Uma vez aprovada, ficam criadas as condições institucionais para a produção de energia nuclear no país, mas o governo tem vindo a frisar que a prioridade nos tempos mais próximos serão projectos de investigação e a formação de quadros.
A nova lei, disse Ngandajina, "vai definir tudo sobre aquisição, transporte, uso e armazenamento que quisermos fazer de conhecimentos e equipamentos radioactivos no país".
"O que se pretende é o desenvolvimento científico ligado à energia nuclear. Formação de pessoal, desenvolvimento de projectos que ajudem o desenvolvimento económico e social do país", afirmou.
Contudo, no sector energético do país, circulam rumores de que a iniciativa da Lei está relacionada com a preparação de um plano para instalação de centrais nucleares no país, que conta com o apoio da China, importante parceiro de Angola e um dos maiores produtores mundiais de energia nuclear.
A própria China está a avançar com um ambicioso plano de aumento da produção de energia eléctrica a partir de centrais nucleares, que prevê que, até 2020, o país atinja uma capacidade instalada de 40 milhões de quilowatts, mais de quatro vezes o valor actual.
Questionado pela imprensa, João Baptista Ngandajina adiantou que já foram identificadas no país jazidas de minérios radioactivos, como o urânio, mas escusou-se a revelar em que regiões.
No ano passado, Angola investiu cerca de 650 milhões de dólares (cerca de 500 milhões de euros) em projectos destinados a assegurar o aumento de produção de energia eléctrica, apostando sobretudo no reforço da capacidade da rede e na construção e reforço da capacidade de barragens, para o que tem contado com importantes apoios da China e também do Brasil.
Entre os principais projectos em curso, destacam-se as hidroeléctricas de Capanda, cuja terceira turbina, de quatro quilowatts, entrou recentemente em funcionamento, e das Ganjelas, construída pela empresa chinesa Sino-hydro Corp, que deverá ser entregue durante este mês.
Para João Baptista Ngandajina, a tónica da tecnologia nuclear em Angola será para já a investigação e desenvolvimento, bem como o fomento de projectos no domínio civil, através da Universidade Agostinho Neto.
"Montou-se um laboratório para o ensino da cadeira de física nuclear e, neste momento, vários docentes e técnicos do laboratório de análise do Ministério (da Ciência e Tecnologia), estão a fazer o doutoramento. Tudo isso visa capacitar o país para este fim", disse o ministro angolano.
João Baptista Ngandajina salientou, em particular, a oportunidade apresentada por esta tecnologia para a formação e especialização de médicos do Centro Nacional de Oncologia e para projectos na área do controlo de doenças em animais e de combate à malária e outras patologias.
Actualmente, Angola tem também em curso projectos ligados ao controlo de poluição marítima associada à produção de petróleo, e integra os programas da AIEA para o continente africano.

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