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Metas de eliminação da lepra serão alcançadas em 2008, doz a OMS
- 7-May-2007 - 18:06
O embaixador da Boa Vontade da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Eliminação da Lepra, Hoyeh Sasakawa, previu hoje que Moçambique eliminará a doença até finais de 2008, afirmando que o país está num "bom caminho".
"Moçambique está a tomar um rumo que leva à visualização da eliminação da lepra até Dezembro" de 2008, disse Sasakawa aos jornalistas após encontros separados com a primeira-ministra de Moçambique, Luísa Diogo, e com o ministro da Saúde, Ivo Garrido com quem debateu a situação da doença no país.
Sasakawa encontra-se em Moçambique desde o último sábado.
Segundo a OMS, Moçambique continua a ser um dos países mais afectados pela lepra no mundo, com quatro mil casos, correspondente a uma taxa de 1,6 por cento em cada 10 mil moçambicanos, de um universo estimado em 19 milhões de habitantes.
Há uma década, foram detectados no país 14 mil casos de lepra, mas as metas para a sua erradicação continuam longe de se alcançar, no entanto, as autoridades sanitárias moçambicanas admitem a eliminação da doença em 2008.
"Seremos capazes de reduzir a lepra para o nível em que a doença seja considera baixa", menos um caso em cada 10 mil habitantes, até 2008, assegurou o responsável pelo departamento do combate à lepra no Ministério da Saúde de Moçambique, Alcino Ndeve.
Esta posição foi igualmente defendida pelo representante da OMS em África, Laundry Bidé, que garantiu que a "prevalência está a diminuir no continente africano: dos 500 mil casos diagnosticados, em 1997, existiam, no ano passado, 40 mil casos".
A Fundação Nippon, presidida por Hoyeh Sasakawa, tem vindo a apoiar o governo moçambicano nas diversas acções para eliminação da doença que afecta, maioritariamente, as províncias do norte e do centro de Moçambique, nomeadamente Nampula, cuja taxa é de 3.5 por cento num universo de 10 mil habitantes.
Cerca de quatro mil doentes estavam a receber tratamento da lepra em todo o território moçambicano, 2005, mas este número reduziu em quase mil casos no ano passado, disse à Lusa Alcino Ndeve.
A lepra é provocada por um bacilo parecido com o da tuberculose, o Mycrobacterium leprae ou bacilo de Hansen, nome do biólogo norueguês que a isolou, a infecção evolui muito lentamente e a incubação pode durar entre 10 a 20 anos.
Falando sobre o estágio da doença no país, o presidente da Fundação Nippon mostrou-se "satisfeito" com o trabalho levado a cabo pelas autoridades sanitárias moçambicanas, mas lamentou o facto de em algumas regiões ainda haver um elevado nível de discriminação de doentes.
"Ainda há discriminação. Há pessoas que ainda pensam que a lepra é castigo de Deus", disse Sasakawa.
Embora tenha cura, a lepra atinge perto de 300 mil pessoas anualmente no mundo, sendo muitos casos diagnosticados tardiamente e provocando sequelas.
Dados da OMS indicam que cerca de 300 mil novos casos de lepra foram diagnosticados em 2005, 30 mil dos quais detectados em crianças, onde uma é afectada em cada 20 segundos.
Em 1991, a OMS fixou como objectivo fazer com que a doença deixasse de ser, até ao ano 2000, um problema de saúde pública, e que houvesse, por cada dez mil habitantes, menos de um caso.
O objectivo não foi atingido em vários países, como por exemplo Madagáscar, Moçambique, Brasil, Índia e Nepal.

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