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Obras de artistas lusófonos na Praia a partir de sexta-feira
- 8-May-2007 - 18:02
Obras de artistas de quatro países de língua portuguesa podem ser vistas a partir de sexta-feira em Cabo Verde, na exposição "Réplica e Rebeldia - Artistas de Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique".
A exposição divide-se pelo Palácio da Cultura, no centro da capital cabo-verdiana, e pelo auditório do Centro Cultural Português/Instituto Camões, também na Cidade da Praia.
Promovida pelo Instituto Camões, a iniciativa apresenta obras de fotografia, vídeo, pintura, desenho, instalação e escultura.
De Moçambique chegaram obras de Ricardo Rangel, Alexandre Santos, Luís Basto, Mauro Pinto, Tomás Cumbana, Celestino Mondlane, Pinto, Hilário Gemuce e Victor Sousa, enquanto os artistas Viteix, Fernando Alvim, António Ole, Yonamine, Paulo Kapela e Tiago Borges representam Angola.
Mestre Didi, Marepe, António Sérgio Moreira, Rubem Valentim, Rosana Paulino, Fábio Domingues, Chico Tabibuia e Maurino Araújo são os artistas convidados do Brasil, e Manuel Figueira, Tchalé Figueira e Bento Oliveira são os cabo-verdianos também presentes.
A designação «Réplica e Rebeldia» define o processo de criação das obras: primeiro, porque "o processo de criação da pintura no Século XVII no Brasil e no Século XX em países africanos começou por ser por parte dos artistas negros um processo de cópia, de réplica dos modelos europeus exportados para o Brasil e para a África", escreve o comissariado científico no catálogo da exposição.
Entretanto, "a este primeiro processo seguiu-se um outro caracterizado por uma revolta, uma rebeldia artística acompanhada de rebeldia social, política, muitas vezes particularmente violenta por parte dos artistas que começavam o seu processo de libertação e de identificação", acrescenta o catálogo que acompanha a exposição.
A designação «Réplica e Rebeldia» define a história da criação artística deste países, explicou à Lusa a comissária executiva da exposição, Rita Sá Marques.
"A exposição - precisou - pretende contar um pouco a história do que foi e do que é a criação artística em termos das artes plásticas desses países e a sua relação com Portugal, que, por razões históricas, foi um primeiro modelo de imitação, já que há sempre esses modelos de réplicas dos centros difusores de normas".
Rita Sá Marques disse ainda que há a reacção, que pode ser "uma réplica mais pacífica ou não a esses modelos e os contributos pessoais, originais e culturais de cada um".
Para a comissária executiva, a exposição vai permitir dar a conhecer esses artistas uns aos outros e todos eles a terceiros.
"A exposição tem a intenção de viajar para fora destes países e irá dá-los a conhecer internacionalmente, já que alguns são mais ou menos conhecidos, mas a exposição vai inseri-los nos circuitos habituais das mostras de arte", adiantou a responsável.
Vários escritores e ensaístas dos respectivos países contribuíram com ensaios e textos, reunidos no catálogo bilingue que acompanha a exposição, para uma clarificação das obras, dos artistas e dos contextos de produção.
Antes da cidade da Praia, a exposição foi apresentada em Maputo, Luanda, Rio de Janeiro e Brasília. Depois de Cabo Verde deverá seguir para a Europa.

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