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  Brasil
África é fundamental para o etanol ser mercadioria global
- 9-May-2007 - 15:43


O Governo brasileiro conta com o apoio da África para transformar o etanol numa mercadoria (commodity) internacional, utilizando como estratégia a transferência de tecnologia para o continente africano, noticia hoje a "Gazeta Mercantil".


Segundo o jornal, o governo planeia, através de um trabalho conjunto dos Ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura, "incentivar o plantio de cana-de-açúcar e a instalação de destilarias em países tão distantes quanto Botsuana, Congo, Gabão e Tanzânia".

O escritório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), aberta em meados do ano passado no Gana, já está a ajudar os africanos em técnicas de plantio de lavouras tropicais, nomeadamente de alimentos.

Especialistas acreditam que o acordo assinado em Março último entre o Brasil e os Estados Unidos, os dois maiores produtores de etanol do mundo, abrirá caminho para a transformação do álcool combustível numa mercadoria que movimentará mil milhões de dólares, nos próximos 30 anos.

Os dois países pretendem ajudar outras nações, nomeadamente da América Central, Caraíbas e África a estimular a produção e o consumo locais de biocombustíveis.

Actualmente, o Brasil produz 18 mil milhões de litros de álcool por ano a partir da cana-de-açúcar.

O etanol brasileiro é um dos mais baratos do mundo, 0,22 dólares por litro, enquanto que o preço do produto nos EUA, obtido a partir do milho, é 0,30 dólares.

O Brasil tem actualmente 336 fábricas de álcool e de açúcar, número que deverá ascender a 409 até ao final de 2013, com a produção anual de 130 mil milhões de litros e mais de um milhão de empregos.

Para além da ajuda dos africanos para transformar o etanol numa "commodity", o Brasil conta, numa segunda fase, com o apoio do continente para a sua aspiração de ter lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A União Africana (UA) tem uma posição semelhante à do Grupo dos 4 (G-4), formado por Brasil, Japão, Alemanha e Índia, que defende mais seis assentos permanentes no Conselho de Segurança, sem direito a veto.

A UA, que representa 53 nações africanas, também defende a criação de seis novas vagas permanentes, mas tem insistido na prerrogativa do direito de veto para os novos membros do Conselho.

O bloco detém cerca de um quarto dos 191 votos da Assembleia Geral e, para ser aprovada, qualquer resolução precisa do apoio de dois terços do plenário, ou 128 votos.


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