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Lula defende moeda única para Mercosul e critica Evo Morales
- 9-May-2007 - 18:11
O Presidente brasileiro Lula da Silva defendeu, numa entrevista divulgada hoje pelo portal "Terra Magazine", a integração sul-americana e uma moeda única para o Mercosul e criticou o discurso de Evo Morales para os bolivianos.
"O que o Evo precisa de pensar, e o que eu tenho conversado com ele, é que, ao fazer o discurso para sua gente, ele leve em conta que há parceiros e que, portanto, o discurso que ele faz para sua gente não pode truncar uma relação histórica entre Brasil e Bolívia. (...) A necessidade da radicalidade oral é incompatível com a necessidade de bom senso de quem governa", afirmou Lula da Silva.
O Presidente brasileiro reforçou que a Petrobras recorrerá aos tribunais internacionais para defender um preço justo pelas duas refinarias que o Brasil mantém na Bolívia.
Hoje termina o prazo que o Brasil concedeu a Bolívia para uma resposta sobre a proposta da Petrobras de vender 100 por cento das acções das duas refinarias à estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).
A Petrobras pede um valor de cerca de cerca de 215 milhões de dólares (158,7 milhões de euros), enquanto a Bolívia quer pagar apenas 70 milhões de dólares (51,6 milhões de euros).
"Evo (Morales) tem uma preferência de ajudar a maioria da Bolívia, que são os indígenas. Então, tudo bem.
Mas isso não pode chocar, ser um obstáculo a uma boa relação entre o Estado brasileiro e o Estado boliviano", sublinhou Lula da Silva.
O Presidente brasileiro destacou a necessidade de fortalecer o Mercosul e de ajudar o Uruguai e Paraguai, países do bloco economicamente mais frágeis.
"Aí a responsabilidade é do Brasil e da Argentina.
Nós trouxemos a Venezuela para o Mercosul e, queremos trazer Bolívia, Equador, Colômbia e Chile. Queremos transformar a América do Sul num bloco unido politicamente, economicamente.
A gente tem de sonhar em ter uma moeda única, um banco único", referiu, destacando a necessidade de definir correctamente o que os sul-americanos querem do Banco do Sul.
Questionado se a adopção de uma moeda única sul- americana não atrapalharia a relação com os Estados Unidos, o Presidente Lula negou.
"Não tem nenhum problema. Eu acho que o equilíbrio deve ser nós mesmos aqui. Aliás, sempre que alguém de fora tentou ser o ponto de equilíbrio, nós tivemos problemas em todos os países da América do Sul, um desequilíbrio".
Lula da Silva disse que os sul-americanos querem acertar por si mesmos e manifestou a convicção de que o século XXI "será o século da América Latina".
Quanto à sua relação com o Presidente da Venezuela, Lula da Silva afirmou nunca ter aceitado a "demonização" de Hugo Chávez.
"Eu tenho pelo Chávez um profundo respeito, tenho certeza que há muitos anos a Venezuela não tinha um Presidente comprometido com o povo pobre do seu país como o Chávez e, na hora que a gente tem divergência, a gente pega o telefone, liga um para o outro e resolve essa divergência", afirmou o Presidente Lula.
O chefe de Estado brasileiro garantiu que o ambicioso projecto do "Gasoduto do Sul" vai ser concretizado.
Os governos de Brasília e de Caracas planeiam uma parceria, que inclui ainda a Argentina e a Bolívia, para a construção de um oleoduto de 10 mil quilómetros entre a Venezuela e a Argentina, orçado em 17.000 milhões de euros.

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