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BCP assina acordo para facilitar investimento da China em Angola
- 11-May-2007 - 20:14


O banco português Millennium BCP assinou hoje com o Conselho Comercial China-África um acordo de cooperação que abre possibilidade à criação de linhas de crédito para empresas chinesas que queiram investir em Angola e Moçambique.


O memorando de entendimento entre o banco português e o Conselho Comercial China-África (CABC, na sigla inglesa), uma Organização Não-Governamental chinesa que procura ferramentas práticas de negócio para o comércio entre China e África, permite a utilização da sucursal de Macau do Millennium BCP para a oferta de produtos financeiros ligados ao negócio internacional, o que poderá incluir linhas de crédito.

"Queremos usar a nossa sucursal de Macau como plataforma de entrada para os empresários portugueses na China e para os empresários chineses que querem investir em África, Portugal e noutros países em que o BCP está presente", disse Duarte Ferraz, director-coordenador da Direcção Internacional do Millennium BCP.

Em declarações em Pequim, Duarte Ferraz afirmou que o acordo é "muito importante para o BCP que quer apoiar os seu clientes na sua internacionalização e nos seus negócios no estrangeiro", uma área que o banco começou a desenvolver há cerca de um ano.

Empréstimos, "cash-management", cartas de crédito, garantias bancárias, tudo o que envolve linhas de crédito para empresas está incluído no pacote do acordo, segundo Duarte Ferraz.

Discursando perante uma plateia que incluía Xie Boyang, vice-presidente da Federação Chinesa de Indústria e Comércio, Liang Yan, vice director-geral da Comissão Nacional de Planeamento e Reforma, e Liu Zhenhua, director do Ministério do Comércio, Ferraz pediu "ambição para explorar novas oportunidades de negócio em África através de parcerias no domínio da banca".

"Apesar de ser um banco relativamente novo, sabemos que o Millennium BCP tem feito um grande trabalho e a sua filosofia encaixa nas necessidades das empresas chinesas que querem entrar em África", afirmou Hu Deping, presidente da CABC.

Além da cooperação no continente africano, ambas as partes estenderam a possibilidade de cooperação a outros países, como a Polónia, onde o BCP está presente.

O embaixador de Portugal na China, Rui Quartin-Santos, disse no final da cerimónia que "este acordo é mais um instrumento económico e financeiro no relacionamento entre a China e Portugal" e que consegue "uma certa trilateralização de negócios entre uma entidade portuguesa, empresas chinesas e africanas".

Em declarações à Lusa em Pequim, o embaixador português afirmou que o acordo "corresponde à dinâmica que se pretende imprimir na ligação entre os dois países no espírito do Fórum Macau".

O Fórum Macau, uma iniciativa do governo da República Popular da China, nasceu em 2003 e engloba a China e todos os países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné- Bissau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste) à excepção de S. Tomé e Príncipe, que não tem relações diplomáticas com Pequim.

A China é já o terceiro maior parceiro comercial do continente africano, a seguir à Europa e Estados Unidos.

Segundo dados do Banco Africano para o Desenvolvimento, o comércio de África com a China disparou nos últimos anos, passando dos 10 mil milhões de dólares em 2000 para os 40 mil milhões de dólares em 2006.

Em 2006, Angola ultrapassou a África do Sul como o maior parceiro comercial da China em África, com trocas comerciais bilaterais avaliadas em 11,8 mil milhões de dólares (8,9 mil milhões de euros).

Alguns observadores acusam a China de tomar África apenas como uma fonte de recursos minerais e matérias-primas para alimentar o crescimento económico chinês e denunciam o apoio de Pequim a regimes políticos que não respeitam os direitos humanos.

A seguir à Arábia Saudita, Angola foi o segundo maior fornecedor de petróleo à China em 2006, tendo exportado 23,45 milhões de toneladas de crude, segundo dados do Ministério do Comércio chinês.


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