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Países lusófonos preparam núcleo político próprio dentro do BAD
- 16-May-2007 - 14:10
Os países de expressão portuguesa do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) preparam a criação de um espaço próprio na organização para, entre outros, aumentar o número de funcionários lusófonos, disse hoje o secretário de Estado do Tesouro português.
O objectivo dos países lusófonos membros do BAD é, para além do reforço dos actuais oito quadro lusófonos na organização, que tem mil funcionários, aprofundar a utilização do português, que já é língua oficial, como língua de trabalho, disse à agência Lusa em Xangai o secretário de Estado do Tesouro e Finanças de Portugal, Carlos Costa Pina.
"Há que aumentar o número de portugueses ou cidadãos de língua portuguesa nos quadros do banco", afirmou Carlos Costa Pina, que representa Portugal na assembleia-geral do BAD, que teve hoje início e termina na quinta-feira.
"Há sobretudo que potenciar que as pessoas no BAD que seguem os países africanos de expressão portuguesa tenham algum conhecimento da realidade local", acrescentou.
O secretário de estado realçou também que o aumento do número de técnicos e consultores portugueses na estrutura do banco terá como consequência a maior utilização da língua portuguesa como idioma de comunicação corrente do banco trabalho, na produção, por exemplo, de documentos de trabalho, cadernos de encargos e projectos de financiamento.
O ministro das Finanças de Angola, José Pedro de Morais, falando à agência Lusa em Xangai, afirmou que a "criação de um espaço lusófono" no seio do BAD permitirá aos países de língua portuguesa ter mais representação na organização que, disse, "se tem orientado por grupos de pressão linguística".
"Há um forte lobby francês ao nível do banco, outro lobby anglo-saxónico e portanto os países africanos de língua portuguesa acharam que podiam concentrar esforços uma presença mais forte da língua portuguesa", referiu José Pedro de Morais, à margem da cerimónia de abertura da reunião de dois dias da cimeira anual do BAD.
A falta de quadros portugueses no banco, alertou o ministro angolano, reflecte-se em perda de influência dentro da organização, que faz com que o BAD financie menos projectos nos países lusófonos.
"A velocidade com que os projectos podem ser aprovados depende do seu estado de preparação. Se esta preparação pode ser melhorada com a participação intensiva de consultores lusófonos, estaremos a ganhar", disse José Pedro Morais.
"O alargamento do recrutamento de peritos do espaço da língua portuguesa é o ponto fundamental que queremos impor", reforçou o ministro angolano.
Xangai, capital financeira da China, acolhe a cimeira anual do BAD, com a participação de governadores de bancos centrais e ministros da economia e finanças dos 53 países africanos que fazem parte do banco e representantes dos 24 membros não-africanos, bem como três chefes de Estado, entre eles Pedro Pires, de Cabo Verde.
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e S. Tomé e Príncipe são os países de língua portuguesa membros do BAD.
Ao que a agência Lusa apurou em Xangai, falta ainda aos países de língua portuguesa articular uma posição comum quanto a eventuais esforços financeiros que o reforço da posição lusófona no BAD venha a implicar.
José Pedro Morais alerta que "tudo isto requer dinheiro, que temos de saber como mobilizar", admitindo o recurso a "fontes de financiamento autónomas".
"Eu olho fundamentalmente para o Brasil e para Portugal que podem dar alguma contribuição para este financiamento", disse o ministro angolano.
Em reacção á posição angolana, o secretário de Estado do Tesouro e Finanças português afirmou que "o alargamento dos quadros do banco deverá sair do próprio orçamento do BAD".
A criação de um grupo político dos países lusófonos dentro da instituição reveste-se também de grande importância para a Guiné-Bissau, uma vez que o BAD é dos maiores fornecedores de ajuda ao desenvolvimento no país, financiando cerca de 38 por cento dos projectos de infra-estruturas e mantendo presença em todos os sectores da economia, segundo disse à agência Lusa o Ministro da Economia e das Finanças guineense, Abubacar Demba Dahaba.
"É uma oportunidade para os países lusófonos afirmarem a língua portuguesa como língua de trabalho nesta instituição", considerou o ministro guineense.
Fundado em 1964, e com sede em Abidjan, capital da Costa do Marfim, o Grupo BAD inclui três instituições (Banco Africano de Desenvolvimento, Fundo para o Desenvolvimento Africano e o Fundo Fiduciário Nigeriano), que têm como objectivo a promoção do desenvolvimento sócio-económico no continente através de empréstimos, investimentos em participação e assistência técnica.

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