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Jornalista do Expresso detido durante reportagem sobre droga
- 23-May-2007 - 15:13
O jornalista do Expresso na Guiné-Bissau Fernando Jorge Pereira denunciou hoje ter sido detido e ameaçado pelas autoridades guineenses no passado domingo no arquipélago dos Bijagós enquanto fazia uma reportagem sobre o tráfico de droga no país.
Em declarações à Lusa, Fernando Pereira, cidadão da Guiné-Bissau, disse que a detenção ocorreu num terreno com cajueiros, lateral ao campo de aviação na ilha de Bubaque, referido como utilizado pelos traficantes de drogas.
"Resolvi ir pelo meio dos cajueiros para não estar a andar no meio da pista quando fui abordado por um senhor que disse ser polícia, mas que não estava identificado, nem fardado", afirmou à Agência Lusa Fernando Pereira, cidadão da Guiné-Bissau, que também não trazia consigo qualquer identificação.
O indivíduo, que conduzia uma motorizada, pediu ao jornalista para subir para o veículo para ir para a esquadra, tendo Fernando Pereira recusado por não saber quem era o homem.
"Entretanto, apareceu um agente dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras e fui para a polícia", disse.
"Na polícia questionaram-me e houve um que me tentou bater duas vezes, mas foi impedido pelo colega do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras", acrescentou Fernando Pereira, que acabou por ser libertado, depois das autoridades em Bissau terem confirmado que de facto se tratava de um jornalista.
Segundo o jornalista do Expresso, a polícia explicou que considerou estranho andar uma pessoa num cajueiro ao pé da pista.
"Até disseram que podia ser um terrorista", referiu.
Mais tarde, depois de ter saído em "liberdade condicional", a polícia disse que estava tudo resolvido, tendo considerado a detenção do jornalista como um "incidente", acrescentou Fernando Pereira.
Fernando Pereira é um dos responsáveis pela criação do Observatório da Liberdade de Imprensa e da Ética Jornalística guineense, apresentado no passado mês de Abril.
"Este acontecimento demonstra a necessidade de avançar com o Observatório, sobretudo, porque o tráfico de droga é uma matéria nova e sensível e pode suscitar reacções violentas e isto que aconteceu é já um reflexo disso", acusou o jornalista.
Vários relatórios das Nações Unidas e outras organizações governamentais têm denunciado a existência de um corredor transatlântico, conhecido por Braziliana Connection (conexão brasileira), que utiliza a Guiné-Bissau e Cabo Verde como "placas giratórias" para fazer entrar a droga na Europa.
Um recente estudo da ONU referia que o tráfico de droga na Guiné-Bissau está a ameaçar a estabilidade do governo com traficantes de droga a conseguir subornar funcionários de ministérios, militares e policias.
A debilidade das autoridades guineenses, da população e das infra-estruturas do país são a principal razão para a Guiné-Bissau se ter tornado numa "placa giratória" do mercado do tráfico de cocaína, segundo a ONU.

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