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Governador Banco Central alerta para perigo de lavagem capitais
- 24-May-2007 - 14:37
O Governador do Banco Central de Cabo Verde, Carlos Burgo, alertou hoje que a lavagem de capitais pode prejudicar o sistema financeiro e comprometer as aspirações do país em tornar-se numa importante praça financeira.
Carlos Burgo, que intervinha no encerramento de um seminário sobre técnicas operacionais de recuperação de activos e no combate à lavagem de capitais e à corrupção, afirmou que, para criar um sistema financeiro credível, o país tem que desenvolver técnicas de combate a esta prática.
"A credibilidade do sistema é o seu mais precioso activo, atendendo ao facto de lidar com dinheiro dos outros. Por conseguinte, a lavagem de capitais pode comprometer as aspirações de Cabo Verde a tornar-se uma praça financeira internacional, já que grandes investidores tendem a afastar-se dos centros com reputação duvidosa", referiu.
Daí a necessidade, acrescentou, de se evitar a entrada no país de dinheiro sujo que "pode, a curto prazo, facilitar o arranque do centro financeiro mas afugentaria certamente o fluxo sólido de capitais líquidos que contribuem para o crescimento sustentado a longo prazo".
A acção, promovida pelo Ministério de Justiça em parceria com a ONUDC (Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime), visou "assegurar o estabelecimento de parcerias e troca de informações com formadores das instituições representadas no encontro, nomeadamente com o FBI (Escritório Federal de Investigação dos Estados Unidos da América), com a RMPC (Real Polícia Montada do Canadá) e com a Polícia Federal do Brasil.
A iniciativa visou formar e consolidar capacidades dentro das instituições cabo-verdianas envolvidas no combate à corrupção e lavagem de capitais.
De acordo com o ministro da Justiça, José Manuel Andrade, Cabo Verde está a implementar um projecto Reforço do Estado de Direito e Luta contra a Criminalidade Organizada, com vista a combater a criminalidade organizada, tráfico ilícito de drogas, corrupção, lavagem de capitais e o financiamento do terrorismo.
"O projecto visa combater os fenómenos tidos como as maiores ameaças à estabilidade e ao crescimento do país, nomeadamente o crime organizado, o tráfico ilícito de drogas, a corrupção, a lavagem de capitais e o financiamento do terrorismo. Queremos criar um clima de confiança e de credibilidade para o nosso sistema financeiro e assim promover a boa governação", disse também hoje.
Para José Manuel Andrade, a presença dos especialistas traduz a ideia de parceria que Cabo Verde quer estabelecer neste domínio.
"Porque este tipo de crimes tem alcance internacional, a ideia é estreitar as relações com os países com quem temos boas relações e, nesta linha, queremos estabelecer acordos de cooperação em matéria de auxílio judiciário mútuo, na perspectiva de melhorarmos as acções e desenvolver acções conjuntas e troca de informações com os vários países para que haja uma actuação mais eficaz nesta área", explicou.
A ONUDC, por sua vez, entende que Cabo Verde, pela sua situação geográfica, pode ser transformada numa placa giratória para a prática criminosa, não só de lavagem de capitais mas de criminalidade transnacional, e ponto de passagem de drogas entre †frica, Europa e América Latina.
Neste sentido, o representante adjunto da ONUDC, Amado Plillip de Andrés, explicou que a acção visou capacitar tanto a polícia nacional como a polícia judiciária para o combate a este tipo de criminalidade organizada.
"Cabo Verde é um ponto estratégico muito importante, não só na †frica Ocidental mas também em relação a Europa e América Latina. Neste sentido, a estratégia da ONUDC é utilizar Cabo Verde como um programa piloto para ver que outras iniciativas se podem iniciar na zona da África Ocidental", afirmou.
A ONUDC pretende promover em Cabo Verde, em Outubro, uma nova acção de formação, mais prática, envolvendo agentes da Polícia nacional e da Polícia Judicária e ministrado por especialistas do Brasil, Estados Unidos e outros países, como Espanha e Portugal.
"Na segunda acção, serão criadas equipas mistas de acção e reacção rápida no aeroporto e porto da Praia e estas equipas receberão formação dos especialistas internacionais", explicou.

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