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Luanda pede coesão na Zona de Paz do Atlântico Sul
- 8-Jun-2007 - 15:55
Angola teme que o mundo esteja a assistir ao princípio de uma nova rivalidade planetária entre os Estados Unidos e a Rússia e pediu mais coesão aos membros da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZPCAS).
Em declarações publicadas hoje pela imprensa angolana, o ministro das Relações Exteriores de Angola, João Miranda, fala na existência dos "germes de uma possível corrida armamentista entre os Estados Unidos e a Rússia" a que o Atlântico Sul deve fazer tudo para estar imune.
Num encontro com a maioria dos embaixadores acreditados em Luanda, João Miranda apresentou o programa da próxima conferência de ministros dos Negócios Estrangeiros da ZPCAS que decorre na capital angolana nos próximos dias 18 e 19.
Interessados em revitalizar um organismo que tem estado estagnado há alguns anos, Angola defendeu perante os representantes dos outros 23 Estados membros da ZPCAS que a conferência chega numa altura propícia em termos internacionais.
A crise desencadeada pelo facto de os Estados Unidos terem anunciado a instalação de sistemas anti-míssil na Polónia e na República Checa e a Rússia ter ameaçado com apontar de novo os seus mísseis para a Europa Ocidental está a provocar temor de que estejamos a assistir ao princípio de uma nova Guerra Fria.
Principal interessado na revitalização da ZPCAS, Angola quer aproveitar a conjuntura internacional para convencer os seus parceiros do Atlântico Sul da virtude das suas intenções e da necessidade de vincar a posição pacífica desta região do globo.
Cooperação em termos marítimos, luta contra o tráfico de drogas e de armas e combate à pirataria no mar são alguns dos pontos que esta sexta conferência dos chefes da diplomacia dos 24 países vão abordar no Centro de Congressos da Talatona, nos arredores de Luanda.
Durante dois dias, as delegações irão aprovar os termos da Declaração de Luanda, que compreende uma parte política e outra económica, elaborada a partir dos seminários técnicos que têm vindo a decorrer nos últimos meses.
Criada em 1986 por decisão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a ZPCAS tem a Argentina como presidente desde 1998, devido ao facto de nunca mais os Estados membros se terem voltado a reunir desde essa data.
Além de Angola, fazem parte da organização outros países de língua oficial portuguesa: Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

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