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Governo garante que não paga dívidas de estudantes em Portugal
- 18-Jun-2007 - 15:21
A ministra da Educação de Cabo Verde, Filomena Martins, recusou hoje assumir dívidas que estudantes do país têm em Portugal e que, disse, podem ascender a 50 ou 60 mil euros.
Numa conferência de imprensa na Cidade da Praia para falar dos resultados de uma recente visita ao Brasil, a ministra garantiu que o governo não irá assumir essas dívidas mas que está a procurar, junto das instituições de ensino, que as mesmas possam ser pagas de forma faseada ou, nalguns casos, perdoadas.
Filomena Martins não quis adiantar mais pormenores, justificando que o caso está a ser estudado e que os montantes em dívida podem ser inferiores, porque muitos estudantes regularizaram a situação depois do assunto ser ter tornado público.
De acordo com a ministra, a famílias dos estudantes têm cumprido a sua parte da responsabilidade, enviando o dinheiro para as propinas, mas os alunos não pagam as dívidas, uma situação que, frisou, não abrange todos os alunos nem reflecte o perfil do jovem cabo-verdiano a estudar em Portugal.
"Sabemos quem são os estudantes, quanto devem e onde devem", disse a ministra, acrescentando também que é uma questão que acontece em vários estabelecimentos de ensino em Portugal, muitas vezes porque os montantes das propinas nas universidades privadas, ainda que sofrendo uma redução, são muito elevados.
Filomena Martins esteve recentemente no Brasil, onde garantiu a cooperação do Ministério da Educação e da Ciência e Tecnologia para a elaboração de um plano estratégico do Ensino Superior em Cabo Verde e para um plano, de 15 anos, de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Em Cabo Verde, disse, a Direcção-Geral do Ensino Superior vai ser reconfigurada, deixando de, como até agora, se preocupar quase em exclusivo da gestão de vagas e bolsas para estudantes no exterior.
No ano passado, pela primeira vez, foram mais os alunos do ensino superior na Universidade de Cabo Verde do que os alunos a frequentar universidades no exterior.
Alunos cabo-verdianos Cabo Verde preencheram no ano passado 40 por cento das vagas que o Brasil disponibilizou no ensino superior para estudantes de África e América Latina.
Cabo Verde, em colaboração com o Brasil, vai facilitar a concessão de bolsas para estudantes que estejam em áreas de ensino consideradas fundamentais para o desenvolvimento do país.
Com o apoio da cooperação austríaca está também a ser preparada, disse a ministra, uma base de dados que permita saber quantos alunos estão no exterior, que cursos frequentam e quando terminam, "para fazer uma planificação de quadros cabo-verdianos" e conhecer "as áreas que dão indícios de saturação".

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