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2.500 portugueses frequentam «ensino especial» na Suíça
- 8-Jul-2007 - 22:52
Cerca de 2.500 estudantes portugueses frequentaram «escolas especiais» na Suíça no último ano lectivo, o que representa dez por cento do total dos que frequentam o ensino secundário e oito por cento em todos os graus de ensino, disse fonte da comunidade portuguesa.
Segundo Manuel de Melo, conselheiro da Comunidade Portuguesa na Suíça, são «na sua larga maioria crianças e jovens com capacidades normais, que são colocadas indevidamente nessas classes do ensino especial suíço, de onde dificilmente sairão para integrar o sistema normal de ensino ou para fazer uma formação profissional».
Segundo o conselheiro, comparativamente a outras nacionalidades, «a taxa portuguesa é elevadíssima: 1,3 por cento de alemães; 1,9 por cento de franceses; 2,6 por cento de suíços e cinco por cento de italianos e espanhóis».
Os portugueses residentes na Suíça, segundo Manuel de Melo, esperam que o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, que deverá visitar aquele país de 09 a 13 deste mês, com encontros agendados com responsáveis suíços do ensino, nomeadamente em Berna, Zurique e Genebra, possa fazer algo para ultrapassar esta situação.
«Esperemos que nesses encontros António Braga tenha a coragem, e sobretudo a honestidade política e moral, para colocar o dedo na ferida e fazer a necessária pressão juntos das autoridades suíças, para que as elas adoptem medidas tendentes à inversão desta situação», disse o Conselheiro da comunidade portuguesa.
António Braga tem agendada para Genebra uma audiência com o presidente deste cantão suíço, Charles Beer, que é também responsável pelo Departamento de Instrução Pública (DIP) e no passado foi o relator da comissão de educação do parlamento de Genebra, que acabaria por propor o arquivamento de uma petição apresentada por um grupo de portugueses, em que pediam ao DIP que pusesse fim à prática de envio indiferenciado de crianças para o «ensino especial».
«O relatório de Charles Beer foi elaborado com base em critérios nada transparentes e pouco sérios, tendo constituído uma fraude monumental. Manipulação e omissão foram os elementos chave do referido relatório, que apenas procurou branquear os 'disfuncionamentos' dos serviços de ensino do cantão responsáveis pelo ensino especial», acusa Manuel de Melo.
Manuel de Melo vai mais longe, ao atribuir à continuidade de Charles Beer como responsável do Departamento de Instrução Pública do cantão de Genebra a «falta de respeito pelos direitos das crianças e jovens portugueses em matéria de educação».

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