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Detidos em Espanha 44 brasileiros membros de rede de falsificação
- 18-Jul-2007 - 17:42
A Polícia espanhola deteve 44 cidadãos brasileiros pertencentes a uma rede que vendia documentos de identidade portuguesa falsos a imigrantes ilegais e cujo negócio rendia mais de dois milhões de euros por ano, noticia hoje o jornal El País.
As autoridades espanholas desmantelaram, no âmbito de uma operação que decorreu na região da Catalunha, uma rede dedicada a falsificação de documentos para imigrantes ilegais.
Segundo a polícia espanhola, a rede estava especializada na falsificação de documentos de identidade portuguesa, que posteriormente vendia sobretudo a compatriotas brasileiros para estes obterem residência legal em Espanha.
Segundo o diário espanhol, 29 das detenções ocorreram na província de Girona e Salt, 11 em Santa Coloma de Gramenet (Barcelona) e quatro em Barcelona.
Os 44 detidos foram todos acusados de falsificação de documentos, favorecimento da imigração ilegal e associação ilícita e fraudulenta, segundo o diário espanhol.
Durante a operação policial foi localizado e desmantelado um laboratório situado numa localidade de Barcelona, onde os detidos elaboravam as falsificações, e apreendidos uma grande quantidade de material informático e software de ultima geração, assim como um elevado número de documentos de identidade portugueses e italianos falsos.
Nos últimos meses, vários brasileiros tinham já sido detidos com documentos portugueses falsos na zona de Barcelona.
Durante a operação de hoje a polícia encontrou 529 bilhetes de identidade e 60 cartas de condução portugueses falsos, além de 120 formulários com fotografias e impressões digitais para elaborar mais documentação falsificada.
Foram ainda encontrados 500 plásticos para BI, 28 BI italianos falsos e 190 fotografias tipo passaporte de várias pessoas, bem como 84 cadernetas bancárias, 27 cartões de crédito, cartões de saúde e certificados para obtenção do Número de Identificação de Estrangeiro.
A polícia apreendeu material electrónico variado, incluindo programas para as falsificações, impressoras, 14 computadores e laminadoras profissionais, além de tintas, colas e selos.
As autoridades confiscaram ainda seis veículos, 60 telefones móveis e quase nove mil euros em dinheiro.
A investigação começou depois de, nos últimos meses, terem sido detectadas e detidas várias pessoas com documentação de identidade portuguesa falsa.
Em várias esquadras policiais apresentaram-se pessoas como sendo cidadãos portugueses, mas com documentos que a polícia confirmou depois serem falsos.
Os imigrantes usavam a documentação portuguesa para tentar obter um número de identificação de estrangeiro em Espanha, com o qual obtinham depois o cartão de residente comunitário, que lhes permite viver e trabalhar legalmente no país.
A rede hoje desarticulada envolvia várias unidades, uma dedicada ao recrutamento dos imigrantes, outra à falsificação dos documentos e outra à obtenção dos documentos espanhóis.
Alguns elementos da rede usavam também documentos falsos para abrir contas em bancos, dos quais obtinham posteriormente cartões de crédito para comprar, de forma ilícita, vários artigos, alguns dos quais eram vendidos.
A rede mantinha ligações em Portugal e na Inglaterra, e parte dos fundos eram enviados para o Brasil.

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