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Morte de seis mulheres e uma criança com extracção dos órgãos genitais
- 2-Aug-2007 - 18:49
Seis mulheres e uma criança foram recentemente mortas e extraídos os órgãos genitais em duas aldeias de Cabo Delgado, confirmou o governador daquela província do norte de Moçambique, Lázaro Mathe.
Falando aos jornalistas naquela província, o governador disse que os assassínios ocorreram no distrito da Mocímboa da Praia, mas considerou que se trata de uma prática estranha à cultura moçambicana.
"Pelas características que nos são descritas, dá para concluir que não se trata de uma acção genuinamente moçambicana, porque se for para objectivos obscurantistas ou supersticiosos, nós, moçambicanos, não temos tais práticas", mas, "se se trata de casos de transplantes, sabemos que há condições técnicas para essas operações, que, entretanto, não existem no país", justificou.
A Polícia da República de Moçambique deteve três indivíduos de nacionalidade moçambicana suspeitos de participarem no crime.
Recentemente, a RENAMO, principal partido da oposição moçambicana, denunciou a ocorrência de "mortes estranhas" em quatro distritos próximos de Mocímboa da Praia daquela província.
"Não se trata de um assunto do distrito (de Mocímboa da Praia), mas sim das aldeias Unidades e Nantelemule, onde depois de termos feito um trabalho com a população e os órgãos locais começaram a aparecer cidadãos indiciados detidos em Palma e em Mueda, com os quais a polícia está a trabalhar com vista a apurar detalhes sobre o que, de facto, está a acontecer", reagiu Mathe.
Na sua denúncia, o delegado político da RENAMO em Cabo Delgado, Cornélio Quivela, apontou o uso de técnicas idênticas às dos recentes crimes, mas, na altura, o governo local desmentiu a informação alegando tratar-se de "propaganda política" da oposição.
Quivela, que é igualmente deputado à Assembleia da República, referiu que nove pessoas haviam sido assassinadas em circunstâncias estranhas em Cabo Delgado, em Dezembro do ano transacto, num crime que culminou na detenção de dois indivíduos.
"Os indivíduos ficaram detidos, mas uma semana depois um deles foi restituído à liberdade. Furiosa, a população linchou o indivíduo. O que tinha ficado na cela desapareceu da circulação", referiu na ocasião.
Casos de assassínios para extracção de órgãos para tráfico foram denunciados por uma freira brasileira da igreja católica, que, em 2005, alertou para a ocorrência sistemática desta prática sobretudo em Nampula.
As autoridades governamentais moçambicanas abriram um inquérito, mas as conclusões apontaram para a inexistência de tráfico de órgãos humanos no país.

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