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  Entrevista
A fuga portuguesa
segundo o MPLA

- 2-Dec-2007 - 14:45


Roberto de Almeida conta o que se passou em 1975 pintando o quadro que mais convém

O presidente da Assembleia Nacional de Angola, Roberto de Almeida, disse em entrevista à agência estatal Angop, que os portugueses abandonaram o país antes da independência "porque não havia convivência possível" com os movimentos nacionais. Roberto de Almeida justifica a "fuga" dos portugueses da antiga colónia com a visão que os portugueses tinham dos movimentos nacionais angolanos.


Eram vistos como "grupos de terroristas, negros drogados e munidos de espadas com o objectivo de matar os brancos", disse, referindo que a “fuga” resultou em escassez de quadros para a gestão do novo Estado.

Apesar de afirmar que os quadros portugueses decidiram abandonar o país, Roberto de Almeida admite ter havido circunstancialmente um afastamento forçado desses mesmos quadros.

Mas a razão essencial da “fuga” está na impossibilidade de “convivência política entre, por um lado, os movimentos nacionais e, por outro, a potência colonizadora", Portugal.

A posição de hostilidade do colonizador, levou, defende Almeida, ao abandono em massa dos quadros portugueses, porque instaurou-se um clima de incerteza em relação ao futuro do país com a possível ascensão ao poder de qualquer um dos três movimentos, principalmente o MPLA - que proclamou a independência - a UNITA e a FNLA.

Roberto de Almeida, que procurou com esse argumento rebater a opinião segundo a qual, após a independência, os quadros portugueses foram deliberadamente “corridos” de Angola, admite essa possibilidade em algumas situações isoladas.

O responsável lembrou que, após a proclamação da independência, a reorganização do país se ressentiu profundamente com a falta de quadros em quase todos os sectores, devido ao abandono de grande parte dos profissionais portugueses.

"Garantir administrativamente a marcha de um país novo nas circunstâncias em que ascendeu à independência foi um grande desafio", referiu.

Roberto de Almeida sustentou ainda que o nascimento do novo país "assumiu maior relevo devido às circunstâncias que antecederam a independência", referindo-se às várias tentativas de bloqueio da proclamação da independência.

Lembrou, a esse propósito, a invasão sul-africana, em 14 de Outubro de 1975, e o avanço, pela fronteira norte, das tropas mistas do exército do ex-presidente do antigo Zaíre, Mobutu, e dos guerrilheiros da FNLA.

"Isso é histórico, ninguém pode desmentir e não temos razões para esconder, embora reconheça que estamos num momento de reconciliação nacional, mas a história é história e tem de ser mencionada", disse.

Adiantou ainda que houve igualmente uma grande pressão dos EUA, país apontado como tendo-se oposto à independência de Angola, o que, para Roberto Almeida, ficou provado pelo fato de o reconhecimento do país por Washington só ter acontecido cerca de duas décadas depois, na década de 1990.

"Isso explica-se porque os EUA tinham uma aliança com Portugal, na OTAN, e não viam com muito bons olhos - dentro também do princípio da Guerra Fria - que esses territórios (dominados por Portugal) ascendessem à independência com direcções que não eram viradas para o ocidente", frisou.

O presidente da Assembleia Nacional destaca na entrevista à agência de notícias angolana, que países como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, conduziram uma luta de libertação que, salvo honrosas excepções, não contou com o apoio da maior parte dos países e governos ocidentais.

Esse facto determinou que os mesmos procurassem alianças com os países da comunidade socialista, que apoiaram a sua luta de libertação.


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