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Crianças de Benguela estão a deixar a escola por causa da SIDA
- 8-Jan-2008 - 19:49
O vírus da SIDA está a ganhar posição como uma das causas "mais importantes" para o abandono escolar de crianças na província de Benguela, alertaram hoje duas organizações não-governamentais (ONG) que trabalham nesta região de Angola.
A necessidade de cuidar de progenitores infectados com o VIH-SIDAida e de os acompanhar a centros de tratamento são apontadas como "causas importantes" para o abandono escolar em Benguela, disse hoje Gabriel Barros, da ONG inglesa Oxfam-GB.
Gabriel Barros defende que a mitigação deste problema, que começa a ganhar contornos preocupantes em Benguela, passa pela melhoria das condições de vida dos doentes e portadores do VIH-SIDA através da sua inclusão em programas geradores de rendimentos.
"Só assim será possível permitir a estas pessoas dispor de rendimentos que lhes permitam manter os filhos na escola", disse este responsável, explicando que em cada vez mais situações, as crianças, com destaque para as raparigas, "são obrigadas a permanecer em casa porque os país morreram ou estão seriamente debilitados pela doença".
Seguindo a mesma linha de raciocínio, Pombal Maria, coordenador da Acção Humana, uma ONG angolana que trabalha na luta conta o VIH-SIDA, recorda à Lusa que existem no país mais de 120 mil indivíduos que necessitam tratamento especializado com anti-retrovirais.
Pombal Maria alerta ainda que deste número, apenas 10 mil foram apoiados pelo governo em 2007, o que deixa uma larga margem para a ocorrência de situações que levam ao abandono escolar.
"E uma grande parte das pessoas abrangidas abandonaram o processo por várias razões. Em Benguela num universo de mais de 200 pessoas, cerca de 80 desistiram da terapia anti-retroviral", sublinhou.
O activista, que defende a necessidade da realização de um estudo para identificar as causas do abandono escolar, assegurou que os factores mais perceptíveis de momento estão relacionados com os estigmas na comunidade e na escola, a falta bens alimentares para os pacientes, bem como a carência de recursos financeiros com que estes se debatem.
Pombal Maria aponta ainda o facto de as pessoas infectadas com o vírus da SIDA, principalmente nos municípios do interior, onde não existem estes serviços de apoio, serem forçadas a percorrer vários quilómetros para conseguirem apoio médico e medicamentoso.
"Muitas crianças acabam por largar as aulas devido à discriminação que sofrem por parte dos colegas, pelo facto de uma ou outra pessoa ter visto o seu familiar numa destas unidades hospitalares", adianta.
Em função disso, segundo esta ONG, em várias famílias muitos pais vêem-se obrigados a renunciarem ao tratamento nos hospitais, "a pretexto de salvaguardarem a presença dos seus filhos nas escolas".
Por seu turno, o chefe do departamento provincial de Saúde Publica e Controlo de Endemias de Benguela, Valentino Caliengue, não confirma o abandono da terapia por parte dos pacientes, mas admite haver pouca adesão ao programa de assistência alimentar devido ao estigma a nível familiar e dos colegas dos filhos na escola.
O programa que está a ser aplicado pela ALPS (Associação de Luta Pela Saúde), numa parceria com governo da província de Benguela, limita-se à entrega de papas de soja aos portadores de VIH-SIDA com carências alimentares, obedecendo ao princípio da confidencialidade.
A não expansão dos serviços de saúde aos municípios do interior, referiu Caliengue, tem a ver com a falta de energia eléctrica nas referidas localidades, uma condição fundamental para a instalação de alguns equipamentos essenciais.
A falta de articulação entre o governo angolano e a sociedade civil é ainda apontada como um obstáculo para uma maior mobilização dos doentes para continuarem o tratamento regular e com qualidade.
A União Europeia disponibilizou cerca de três milhões de euros para apoio às organizações locais que desenvolvem acções de luta contra a SIDA nas quatro províncias de Angola ligadas pelo corredor do Lobito, um projecto gerido pela Oxfam: Benguela, Huambo, Bié e Moxico.
O movimento comercial e circulação de pessoas provenientes de outros países da África Austral, com destaque para a Zâmbia e a RDCongo são encarados pelas ONG como um factor que facilita a propagação da SIDA em algumas destas províncias angolanas.
A reabilitação efectiva do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), um importante elo de ligação entre os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), é um dos factores que justificam a existência deste projecto de luta contra o VIH-SIDA.
O projecto liderado pela Oxfam-GB, que já está no seu segundo ano de actividade, pretende, entre outras especificidades, identificar rotas comercias e mercados, com base num estudo sobre modos de vida, para que seja possível fornecer às comunidades a informação que lhes permita responder de forma positiva aos problemas que enfrentam.

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