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De incidente em incidente, ministra da Cultura afastada
- 29-Jan-2008 - 17:25
A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, foi hoje afastada do cargo, no quadro de uma remodelação que abrangeu, além do seu, o ministério da Saúde, menos de dois meses depois de lançada uma petição a pedir a sua demissão.
A petição, que reuniu cerca de 2800 signatários, surgiu na sequência de um ano marcado por vários incidentes envolvendo o departamento liderado por Pires de Lima.
O primeiro, e um dos que mais tinta fizeram correr nos jornais, foi o "caso Pinamonti".
Tudo começou em finais de 2006 quando o director do Teatro Nacional de São Carlos, o italiano Paolo Pinamonti, fez saber do seu descontentamento por lhe cortarem 682 mil euros no orçamento da casa para 2007.
Ao corte, outro motivo se somou algum tempo depois ao desagrado de Pinamonti: a criação, no âmbito do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado), de uma empresa pública, a OPART, para gerir conjuntamente o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado.
Em Março último, Pinamonti - há seis anos, e sempre com elogios da tutela, à frente do São Carlos - deixou o cargo. Razão oficialmente invocada : não aceitara as condições que lhe tinham sido propostas para continuar.
Pinamonti refutou a alegação oficial, afirmando que ninguém o convidara formalmente para continuar após o termo do seu contrato. Mais: tinha sido informado por carta do seu afastamento apenas meia hora antes de, em conferência de imprensa, ser tornado público o nome do seu sucessor no São Carlos, o alemão Christoph Dammann.
Um segundo "caso", tão erosivo como o primeiro para a imagem do ministério - pelo menos pela amplitude pública que alcançou -,foi o que envolveu Dalila Rodrigues, desde Novembro de 2004 directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).
Informada a 1 de Agosto de que não seria reconduzida no cargo, a investigadora confessou-se na altura "surpreendida" com a decisão da tutela, porquanto esta nunca lhe fizera "qualquer reparo". Em vista dos factos, concluía ter sido "penalizada por discordar publicamente do modelo de gestão" dos museus nacionais.
Precisamente essa sua discordância tinha estado na base do afastamento, como admitiu no princípio de Agosto o director do Instituto dos Museus e Conservação, Bairrão Oleiro, sem deixar de reconhecer o "bom trabalho de divulgação e promoção" do MNAA levado a cabo por aquela responsável.
De menor vulto, mas merecedores, também, de grande atenção dos "media", vários outros incidentes marcaram a direcção do ministério.
Aconteceu assim com duas "assinaláveis" ausências da ministra em realizações por muitos consideradas de primeiro relevo e a justificar, portanto, a presença da titular da Cultura.
A primeira "ausência" registou-se na inauguração, a 12 de Agosto, em Coimbra, de um monumento em honra de Miguel Torga, cujo centenário de nascimento se comemorou em 2007. As críticas não tardaram - da parte de amigos e admiradores do escritores e mesmo de elementos ligados ao partido no poder.
Mais recentemente, as críticas visaram Isabel Pires de Lima por não ter assistido à abertura, em Lanzarote, de uma exposição sobre José Saramago promovida pela Fundação César Manrique. O governo português esteve representado pelo embaixador de Portugal em Espanha, Moraes Cabral, mas houve quem achasse a representação "insuficiente".
Amplamente publicitada, a exposição do Hermitage - o mais importante museu russo - na Galeria Dom Luís, no Palácio da Ajuda, fez soar algumas trombetas dissonantes. Mas houve também aplausos.
Do lado "não", ouviram-se críticas de "dinheiro mal utilizado", de "novo-riquismo". Do lado "sim", aplaudiu-se a "boa aposta do Ministério do Cultura", a "magnificência", o "brilho cultural".
Quando, em finais de Novembro, o Estado comprou em leilão, por 1,5 milhões de euros, o quadro "A Deposição de Cristo no Túmulo", também conhecido como "O enterro do Senhor", do pintor veneziano Giovanni Tiepolo, terão sido, porventura, mais os aplausos do que as críticas.
Os "preliminares do caso" não pareciam "propiciar" a aquisição: por um lado, uma alegada "desarticulação" informativa entre o ministério e o Instituto dos Museus e Conservação e, por outro, a "falta de fundos" poderiam - temeu-se - comprometer tudo. Mas o desfecho foi outro, e a favor do acervo patrimonial nacional (o quadro não pode sair de Portugal).
Um outro resultado sublinhado mais por aplausos do que por críticas foi o conseguido com a compra pelo Estado, também em leilão, do único manuscrito conhecido de "Indícios de oiro", de Mário de Sá-Carneiro. Para estudiosos e admiradores da obra do poeta, seria "imperdoável" que ele não ficasse à guarda do Estado.
Aplaudida, e sem visível polémica, foi a compra da muito falada e disputada colecção de 8.000 discos de fado de Bruce Bastin. A riqueza do acervo «convenceu» o ministério da Cultura, a Câmara de Lisboa e um mecenas a abrirem cordões à bolsa - 1,1 milhões de euros - para que em território nacional ficasse. À guarda do Arquivo da Torre do Tombo, para já.
Marcada pela polémica foi a aprovação na Assembleia da República, com o "sim" do Partido Socialista e o "não" de todas as bancadas da oposição, da lei sobre o regime dos contratos de trabalho dos profissionais do espectáculo.
Factos mais recuados no tempo, criticou-se ainda à ministra ter posto fim ao Museu de Arte Popular, ter acontecido o fim da Festa da Música, as circunstâncias - para alguns pouco claras - do afastamento de António Lagarto da direcção do Teatro Dona Maria II...
Em defesa do seu mandato à frente da Cultura, Isabel Pires invocou, nas entrevistas concedidas, nomeadamente à Lusa, a acção que desenvolveu para a descentralização da oferta cultural, para a defesa e conservação do património e para racionalizar as despesas do seu ministério.
Várias vezes instada a equacionar a hipótese de uma remodelação que abrangesse também o seu ministério, respondeu sempre estar preparada para o que quer que acontecesse e determinada a sair com "a casa arrumada".

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