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  Comunidades
Luxemburgo: Emigrantes portugueses sentem-se discriminados
- 31-Jan-2008 - 16:36


Quase metade dos portugueses radicados no Luxemburgo já se sentiram discriminados, mas, apesar disso, a maioria voltava a escolher aquele país para emigrar, revela um estudo a que a Agência Lusa teve hoje acesso.


Realizado pelo Centro de Estudos das Populações, da Pobreza e das Políticas Sócio-Económicas (CEPS), uma instituição tutelada pelo Ministério da Cultura e do Ensino Superior luxemburguês, o estudo "Experiências Migrantes de Racismo e Xenofobia" teve como objectivo verificar se as comunidades estrangeiras no Luxemburgo são ou não discriminadas.

Naquele país foram colocadas questões a 1.400 estrangeiros entre os 18 e os 60 anos provenientes de Portugal, a maior comunidade no Luxemburgo, Cabo Verde, Jugoslávia e Bélgica.

A CEPS concluiu que 46 por cento dos portugueses residentes naquele país já se sentiram, pelo menos uma vez, alvo de discriminação por serem estrangeiros.

A maior parte das queixas da comunidade portuguesa prende-se com o tratamento que lhe é dado pelas forças de segurança, com 16 por cento dos portugueses a dizerem que já foram mal recebidos ou tratados de maneira incorrecta pela polícia.

Todas as outras comunidades (cabo-verdiana, jugoslava e belga) apresentam menos queixas (12 por cento) relativas às forças de segurança.

Seguem-se os insultos ou perseguições pelos vizinhos (13 por cento) e na rua ou nos transportes públicos (11 por cento).

Doze por cento dos portugueses dizem ainda que são maltratados nas caixas de saúde, sendo a comunidade que lidera as queixas relativas a este serviço.

Os portugueses queixam-se também de serem mal recebidos nos centros de empregos (seis por cento), nos serviços sociais (três por cento), em restaurantes (cinco por cento), por médicos ou em hospitais (seis por cento).

Dizem ainda que por serem estrangeiros lhes foi recusado um crédito bancário (três por cento) e que lhes foi barrada a entrada num restaurante ou bar (um por cento).

Três por cento dos portugueses inquiridos dizem que já foram vítimas de agressões.

Relativamente aos conhecimentos linguísticos, os portugueses são os que mais dominam as três línguas oficiais do Luxemburgo (luxemburguês, francês e alemão), com 29 por cento, mas o estudo realça que a maioria desses portugueses estudou naquele país.

Quanto às relações sociais, 71 por cento dos portugueses disseram que convivem mais com outros portugueses, 49 por cento relacionam-se frequentemente com luxemburgueses e 41 por cento têm amigos de outras nacionalidades.

Trinta e cinco por cento dos portugueses dizem que se sentem bem integrados no Luxemburgo, enquanto 23 por cento afirmam estar muito bem integrados.

Quanto à intenção de regressar a Portugal, 37 por cento dizem que pretendem voltar ao país de origem, 25 por cento não querem regressar e 38 por cento estão indecisos.

Questionados sobre se voltariam a escolher o Luxemburgo para emigrar, 64 por cento dos portugueses disseram que "sim", 29 por cento "talvez" e sete por cento "não".

No Luxemburgo residem oficialmente 67.800 portugueses mas o número real deve ascender a 80 mil, segundo dirigentes associativos.

Os portugueses representam 16 por cento da população do Luxemburgo e 20 por cento da população activa.

O estudo foi encomendado pelo Centro Europeu de Monitorização do Racismo e Xenofobia a todos os países da União Europeia.


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