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  Entrevista
Golpe de Estado?
-São mais as dúvidas
e menos as certezas

- 11-Feb-2008 - 17:58


O major Reinado queria que o poder fosse para Ramos-Horta. Então como se justifica o atentado?

Timor-leste acordou hoje sob o espectro de um eventual atentado – leia-se Golpe de Estado(?!) – contra as principais figuras do Estado timorense. E segundo quase todas as fontes externas, o responsável principal por este acto tresloucado e cobarde teria sido o renegado e fugitivo antigo líder da Polícia Militar, o major Alfredo Reinado.


Por Eugénio Costa Almeida

Não se contesta nem se duvida dos atentados que o presidente Ramos-Horta e o primeiro-ministro “Xanana” Gusmão foram alvos. Nem tão pouco se duvida que o presidente tenha sido atingido durante o atentado. Tal como não se duvida que o major Reinado possa ter sido recolhido morto – não dizemos que tenha sido morto – no local do atentado ao presidente. E não afirmado que tenha sido morto porque há muitas contradições neste duplo atentado.

Por um lado, enquanto o presidente foi alvo de um atentado à sua residência quando estava fora dela (de acordo com Xanana o presidente Ramos-Horta estava a fazer os seus exercícios físicos fora da residência), tendo decidido voltar para esta em vez de se pôr a salvo, o que parece querer demonstrar uma falta gritante de conhecimento dos problemas sociais do país, o que não queremos crer, mas que não previa algum tipo de ataque à sua pessoa, o chefe de Governo, “Xanana” Gusmão era alvo de uma emboscada quando regressava a Dili, levado a efeito por um segundo líder, o tenente Salsinha.

E todo este imbróglio, segundo fontes externas, teve como responsável o renegado e foragido major Reinado!

Ora, é aqui que começam as contradições.

Sabe-se que tanto Ramos-Horta como Xanana “protegiam” o major Reinado de eventuais tentativas de detenção que a polícia das Nações Unidas e um juiz do Tribunal timorense tentaram levar a efeito.

Por outro lado sabia-se que nem os australianos, nem as forças internacionais da ISF faziam alguma coisa para deter o renegado e foragido antigo líder da Polícia Militar porque nem Ramos-Horta e, também, nem Xanana o permitiam. Realce-se que ainda há poucos dias Reinado numa “entrevista” acusava Xanana de ser o principal responsável pela situação e ameaçava-o de, caso fosse detido e julgado, “levar” Xanana com ele e solicitava à ONU que demitisse o Governo de Xanana e entregasse o poder a Ramos-Horta. E Xanana chegou a afirmar que Reinado não era “ uma ameaça real à estabilidade de Timor-Leste”.

Logo se o major Reinado queria que o poder fosse para Ramos-Horta, e como relembrou hoje Mari Alkatiri, começava a haver um consenso de estabilidade no país, como se justifica o atentado e sob as ordens de Reinado?

E porque é que foi necessário que a GNR portuguesa chegasse à residência de Ramos-Horta, mais de meia-hora depois de ser ferido para que o presidente fosse assistido não o tendo sido quando estavam com ele a polícia internacional das Nações Unidas?

Depois, e de acordo com fontes iniciais, como é que a viatura da segurança que precedia o chefe de Governo tenha, eventualmente, ficado totalmente destruída sem que houvesse vítimas a lamentar? Mas a segurança consegue afirmar que era o tenente Salsinha que comandava o atentado.

Não anda Xanana sempre protegido pelas forças militares australianas? Como deixaram elas que os revoltosos chegassem perto da caravana e soubessem a hora de passagem?
Mais contradições!

Mas a maior contradição surgiu já durante o dia. De acordo com uma notícia do Notícias Lusófonas aqui estampada, o major Reinado teria sido morto uma hora antes do primeiro atentado à residência de Ramos-Horta; relembremos que só quando este chegou à residência é que foi atingido!

A maior das contradições que nos leva a crer que este atentado visou mais Ramos-Horta e a sua vontade de estabilidade nacional que o Governo de Xanana. E, principalmente, a eliminação física daquele que mais parecia conhecer os meandros do que esteve, realmente, por detrás dos acontecimentos de Maio de 2006 e que permitiu aos australianos aumentarem a sua presença em Timor-Leste.

E isso viu-se já hoje quando o Governo “aussie” decidiu aumentar as suas forças no país do crocodilo enquanto o Governo português, perante o pedido do presidente da Assembleia Nacional timorense que está de visita a Portugal, afirmava que era prematuro enviar mais GNR’s para Timor-Leste dado que a sua presença – tal como a dos australianos – estava subjacente a um pedido e supervisão das Nações Unidas.

Enquanto Portugal, membro, tal como Timor-Leste, da CPLP se agacha e descarta-se com as Nações Unidas, a pretensa potência regional Austrália, talvez com o natural beneplácito dos EUA que muito lhes devem por causa do Iraque, decide mandar tropas para Timor-Leste levando a um reforço de militares indonésios na fronteira timorense.

E por falar em CPLP. Onde está o apoio dos outros países lusófonos a Timor-Leste? Porquê deixá-los entregues ao poder anglófono australiano que o que quer e sempre quis foi o petróleo, o excelente petróleo, do Mar de Timor?

As potências não se vêem só pela sua eventual projecção regional mas também por aquilo que podem fazer a favor dos amigos e, principalmente, dos irmãos mesmo que – e principalmente – estejam fora da sua “zona residencial”!

Com tantas contradições, como a não imediata ajuda ao presidente atingido por parte da sua segurança(?); ou como a morte de Reinado ainda antes do segundo ataque à residência presidencial e antes do presidente ser atingido; ou ainda ter havido um ataque a quem mais “protegia” o revoltoso e parecia conseguir estabilizar o País; ou o ataque à caravana do primeiro-ministro “Xanana” Gusmão onde só uma viatura parece ter sido destruída e sem vítimas; e o rápido reforço militar e policial dos australianos – que não souberam prever estes atentados; será que não(?!) – faz pensar que algo não bate certo!

Ou será que o que tem sido mentira é, de facto, uma grande verdade e Ramos-Horta é um “mal” a abater?

Um Timor-Leste próspero e desenvolvido não interessa à potência do Sul. Porque duas regiões desenvolvidas em seu redor tirariam alguma força aos “aussies”. Já basta uma, a Nova Zelândia! Duas, e ainda por cima com relações privilegiadas com um vizinho islâmico que pode acoitar eventuais terroristas, seria um perigo enorme!

E a Austrália não se pode permitir a isso!


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