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Tecnovia nega versão da Polícia sobre português baleado em Cabinda
- 10-Mar-2008 - 19:22


A Tecnovia desmentiu hoje que o seu funcionário baleado há uma semana em Cabinda tivesse sido assaltado quando transportava o dinheiro dos salários dos restantes trabalhadores, conforme o que defendeu hoje a Polícia Nacional (PN) angolana.


Segundo Cristina Madaleno, directora do Departamento de Recursos Humanos da Tecnovia, empresa portuguesa ligada à construção civil e obras públicas, António Carapinha, a vítima portuguesa, é o encarregado de equipamentos e que nada tem a ver com o pagamento de vencimentos.

"Aliás, os nossos pagamentos não são feitos sequer dessa forma. O nosso trabalhador nada tem a ver com o pagamento de salários", disse aquela responsável da Tecnovia, adiantando que António Carapinha, ferido num braço e numa perna, abandonou sábado o hospital local onde foi assistido.

Hoje, em declarações à Lusa, o porta-voz da PN, 1º superintendente Carmo Neto, afirmou que o cidadão português baleado em Cabinda foi alvo de um assalto à mão armada, do qual lhe foi roubado dinheiro que se destinava ao pagamento de salários, e que a corporação continua no encalço dos assaltantes.

"É suposto que os criminosos tivessem conhecimento de que a vítima transportava muito dinheiro. Deve ser esse o móbil do crime", salientou Carmo Neto, que se escusou a quantificar os valores roubados e prometeu que, nas próximas horas, fornecerá mais detalhes sobre a ocorrência.

Segundo Cristina Madaleno, as circunstâncias que rodeiam o "incidente" estão ainda a ser alvo de uma investigação das Forças Armadas Angolanas (FAA), que, numa incursão realizada posteriormente, detiveram um suspeito nas matas do enclave.

"Mas não sabemos mais nenhum desenvolvimento. Aliás, nada nos leva a crer que este atentado tenha a ver com qualquer questão pessoal ou política", sublinhou a directora dos Recursos Humanos da empresa.

Cristina Madaleno afirmou, por outro lado, que as autoridades angolanas garantiram à empresa "toda a segurança" para continuar a trabalhar nas várias frentes dos diferentes projectos em Cabinda, sendo o mais importante o da construção da via rodoviária que liga o enclave à cidade congolesa de Ponta Negra.

A Tecnovia, empresa portuguesa ligada às obras públicas, está presente em várias frentes em Angola, indicou Cristina Madaleno, adiantando que nela trabalham cerca de 600 funcionários, 80 deles portugueses, divididos entre Luanda e Cabinda.

António Carapinha foi alvejado a 03 deste mês na província de Cabinda, sendo atingido por disparos de uma arma automática vindos do mato contra a viatura que conduzia.

Quatro dias mais tarde, contactado telefonicamente pela Lusa a partir de Lisboa, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Cabinda - braço armado da FLEC (Forças de Libertação do Enclave de Cabinda) - reivindicou o "atentado", desencadeado na sequência de avisos às empresas estrangeiras que laboram em Cabinda para não ajudarem a economia de Angola.

"Quem disparou foram as FAC e vamos neutralizar tudo o que sustente a economia angolana", esclareceu Estanislau Miguel Boma.

No mesmo dia, o ministro sem pasta angolano António Bento Bembe negou à Lusa que António Carapinha tenha sido alvejado por elementos das FLEC/FAC, a quem acusou de "aproveitamento político", atribuindo a acção a delinquentes.

Bento Bembe indicou que, desde que a paz foi instaurada no enclave, se tem assistido a uma entrada "desordenada" de empresários que investem na região, mas sem obedecer às tradições locais, o que tem provocado descontentamento das populações.

Foi enquanto presidente do Fórum Cabindês para o Diálogo que, a 01 de Agosto de 2006, Bento Bembe assinou com o governo angolano um Memorando de Entendimento para a Paz e reconciliação na província de Cabinda.

O enclave de Cabinda, de onde provém a maior parte da produção petrolífera de Angola, é palco desde 1975 de uma luta armada independentista liderada pela FLEC, que alega que o território ainda é um protectorado português nos termos do Tratado de Simulambuco, assinado a 01 de Fevereiro de 1885.

Fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga, indicou hoje à Lusa que o governo Lisboa está a acompanhar a evolução da situação, estando desde já garantida a segurança dos cerca de 50 cidadãos portugueses que se encontram em Cabinda.


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