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Entrevista
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«Reinado queria matar ou raptar o presidente», diz comandante da Halibur
- 17-Mar-2008 - 15:01
O major Alfredo Reinado "queria matar ou fazer refém" o Presidente de Timor-Leste, quando atacou a residência de José Ramos-Horta em Díli, a 11 de Fevereiro, afirmou hoje à agência Lusa o comandante da operação "Halibur" .
"Reinado não foi lá para ser morto, de certeza, porque não contava com o que lhe aconteceu", disse o tenente-coronel Filomeno Paixão, das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), em entrevista à Lusa.
O major Alfredo Reinado, ex-comandante da Polícia Militar timorense, morreu no ataque à casa de José Ramos-Horta, com um dos homens do seu grupo.
Filomeno Paixão é o 1º comandante da operação de captura dos suspeitos pelos ataques de 11 de Fevereiro e de acantonamento dos peticionários das Forças Armadas timorenses.
É também um dos três oficiais das F-FDTL que integram a comissão de inquérito interna, com três representantes civis da secretaria de Estado da Defesa.
Com os dados disponíveis, a convicção de Filomeno Paixão sobre as intenções de Alfredo Reinado "está entre matar o Presidente ou levá-lo como refém".
"As duas probabilidades são viáveis", frisou.
"Refém, podia levar, mas os riscos seriam grandes. Talvez matar o Presidente fosse mais fácil. Por dinheiro. Limpa-se o chefe de Estado, cria-se um caos e alguém toma(ria) conta da situação", explicou Filomeno Paixão sobre esta hipótese.
"Reinado ficaria descansadinho com o dinheiro e podia aparecer em cena outra vez quando a situação o permitisse", acrescentou o comandante da "Halibur".
"Ele entrou muito confiante, desarmou o pessoal à porta. Entrou no quarto ou na casa-de-banho do Presidente, voltou cá fora e 'levou' com um soldado que estava escondido e com quem ele não esperava", declarou Filomeno Paixão sobre o que aconteceu em casa de José Ramos-Horta.
Filomeno Paixão fez um balanço positivo da operação "Halibur", que persegue o grupo agora liderado pelo ex-tenente Gastão Salsinha, que no mesmo dia atacou a caravana onde seguia o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, que escapou ileso.
"A operação inicial foi mais dissuasiva e persuasiva, com o objectivo de trazê-los vivos para a justiça. Ainda acreditamos que Salsinha vai capitular-se, isto é, entregar-se à justiça", disse o tenente-coronel Paixão à Lusa.
O comandante da "Halibur" admitiu que dois grupos com alguns dos cerca de 30 homens de Gastão Salsinha "tentaram escapar antes de dia 11" de Março, o dia em que o ex-tenente tinha prometido entregar-se às autoridades, "e outro grupo tentou escapar nessa mesma noite".
"Quando Salsinha, à última hora, decidiu pelo não, tivemos que cercá-lo e tentar capturá-lo. Certamente para a próxima vamos utilizar outro método", disse Filomeno Paixão.
"No cerco ao distrito de Ermera (oeste), apenas conseguimos surpreender um pequeno grupo" de quatro homens, que se puseram em fuga com as armas mas deixaram o restante material, afirmou o tenente-coronel.
Dois elementos deste grupo entregaram-se domingo às autoridades. Um deles, rendeu-se a um liurai (chefe tradicional) no distrito de Ermera, contou Filomeno Paixão.
O tenente-coronel Paixão acrescentou que um destes homens é militar e outro é um civil. Este último fugiu da prisão de Becora com Alfredo Reinado a 30 de Agosto de 2006, na véspera de cumprir a pena a que tinha sido condenado.
Filomeno Paixão resumiu os fugitivos em torno de Gastão Salsinha a "17 homens armados e um pequeno grupo desarmado que talvez lhe dê apoio logístico".
"Dos armados, não conseguimos (apanhar) nenhum", disse.
Dos elementos que pertenciam ao antigo grupo de Alfredo Reinado, Filomeno Paixão explicou que "há alguns que ficaram em casa durante muito tempo e que, à última hora, foram chamados para participar no ataque de 11 de Fevereiro".
Questionado sobre quanto tempo o Comando Conjunto da "Halibur" tenciona dar a Gastão Salsinha, Filomeno Paixão respondeu: "quanto mais cedo acabar a operação, melhor, e é para isso o nosso esforço".
"Os outros levaram dois anos. Nós, como somos poucos, podemos exigir quatro ou seis anos", comentou, a rir, o oficial timorense, numa alusão às forças das Nações Unidas e sob comando australiano que tentaram capturar o major Reinado.
Filomeno Paixão considera que "é difícil" que Gastão Salsinha se torne "num segundo Reinado".
"As condições são diferentes. O Reinado era diferente do Salsinha em termos de capacidade intelectual e de personalidade. O Gastão Salsinha não tem essa possibilidade. E há dois anos as condições eram outras", explicou.
Após a captura do grupo de Salsinha, a operação "Halibur" poderá concentrar-se no regresso dos deslocados, afirmou o tenente-coronel Paixão.
"Seria ideal que o comando conjunto continuasse, embora já não necessite de um estado de sítio que preceda a sua existência", disse.
"Iríamos debruçar-nos sobre os deslocados, levá-los-íamos de volta às suas casas, ajudaríamos talvez a construir as casas e dávamos segurança durante algum tempo", sublinhou o comandante da "Halibur".
Filomeno Paixão reconheceu que "tem havido algumas fricções" entre as chefias timorenses e a Missão Integrada das Nações Unidas e as forças internacionais.
"É natural. Temos tratados, como o acordo Trilateral e o Suplementar. Há uma certa dependência, sobretudo da PNTL (polícia timorense) à UNPOL (polícia da ONU), e as F-FDTL não poderiam actuar sobre o terreno de Timor-Leste, que está sob o controlo das ISF", as Forças de Estabilização Internacionais australianas e neozelandesas.
"Quando se vai romper isso, embora haja coordenação, não é fácil a implementação na prática", frisou Filomeno Paixão.
O comandante da "Halibur" é favorável a uma extensão do estado de sítio, que foi decretado até dia 23 de Março, "enquanto não forem capturadas as armas do grupo de Salsinha".
"Talvez se possa mudar para o estado de emergência", ressalvou, no entanto, o tenente-coronel Paixão.

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